quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Água, Questão de Governança

Água, Questão de Governança
Org. Pedro Roberto Jacobi e Paulo de Almeida Sinisgalli
Apoio: Projeto Alfa da Comunidade Européia

Durante o século XX, a utilização da água cresceu seis vezes, duas vezes mais do que a taxa de crescimento populacional, e a capacidade e habilidade para lidar com o contínuo crescimento da demanda global dependerá de forma crescente de governança e gestão dos recursos disponíveis.

“Um dos maiores desafios é o de garantir aos cidadãos acesso às informações básicas sobre a qualidade e a quantidade da água. Sem isso, limita-se seriamente a chance de eles intervirem em projetos de água ambientalmente prejudiciais ou chamarem à responsabilidade as agências governamentais responsáveis pela gestão”, defende Pedro Roberto Jacobi, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam-USP) e coordenador do Projeto Alfa da Comunidade Européia sobre Governança da Água na América Latina.

Para ele, a governança adequada é um processo complexo, afetado pelas especificidades na gestão de cada sociedade, seus costumes, tradições, cultura institucional, práticas políticas e capacidade de inovação na gestão de conflitos. Sob essa ótica, a Annablume Editora lança quatro livros organizados por Jacobi e por Paulo Sinisgalli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each/USP.

Desses, três abordam aspectos associados a políticas públicas, dimensões político-institucionais, o papel dos atores sociais face aos conflitos e questões de territorialidade na América Latina e na Europa – como parte dos resultados do projeto GovAgua, que reúne 10 instituições universitárias dos dois continentes em atividades de cooperação. O quarto livro, Atores e Processos na Governança da água no Estado de São Paulo, organizado por Jacobi, focaliza a bacia do Alto Tietê e do Piracicaba.

Organização:

Pedro Roberto Jacobi e Paulo de Almeida Sinisgalli
Apoio: Projeto Alfa da Comunidade Européia

Lançamento:
Livraria Martins Fontes
08 de dezembro de 2009, terça-feira, das 18:30 hs às 21:30hs
Av. Paulista, nº 509 - São Paulo - SP
(próximo à Estação Brigadeiro do Metrô)
(11) 2167.9900

Sobre os organizadores:

Pedro Roberto Jacobi

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1973), Graduação em Economia pela Universidade de São Paulo (1972), Mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Graduate School of Design - Harvard University (1976), Doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1986).

Livre Docente em Educação -USP. Professor Titular da Universidade de São Paulo, Co-editor da revista Ambiente e Sociedade desde 1997. Membro do conselho editor das revistas Environment and urbanization (0956-2478), EURE (Santiago) (0250-7161) e O&S. Organizações & Sociedade.

Tem experiência na área de Políticas Públicas Ambientais, Politicas Sociais, Gestão Ambiental, Movimentos Sociais e Participação, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento sustentável, gestão compartilhada de recursos hídricos, Participação social e gestão de resíduos sólidos, Educação ambiental e participação da sociedade civil na gestão ambiental.

Coordenador do TEIA-USP Laboratório de Educação E Ambiente. Representa a USP no Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê onde exerce a relatoria da Cãmara Técnica de Planejamento e Gestão. Coordenador Acadêmico do Projeto Bacias Irmãs sobre Construção de Capacidade da Sociedade civil para a Gestão de Bacias Hidrográficas entre 2003-2008.

Coordenador de Projeto Alfa da Comunidade Européia sobre Governança da Água na América Latina e Europa que conta com a participação de dez instituições universitárias da America Latina e Europa. Coordenador de projeto Fapesp de Políticas públicas sobre Aprendizagem Social em Bacias Hidrográficas na RMSP

Paulo de Almeida Sinisgalli

Graduado em Engenharia Civil e Sanitária pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1984), mestrado em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (2005).
Pós-graduação em Environmental Management pela Universidade Técnica de Dresden - Alemanha (1989/1990) e foi Visiting Student na Universidade de Kent at Cantembury na Inglaterra (1999/2000).

Atualmente, é suplente de coordenação do Curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Ecológica, atuando principalmente nos seguintes temas: economia ecológica, gestão de recursos hídricos, metodologia de avaliação, análise sócio-econômica-ambiental, engenharia ecológica e estudo energético.

Nicolau Kietzmann
Assessoria de imprensa
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Trans Posição Francisco


Trans Posição Francisco

O livro é o resultado da viagem de cinco artistas que singraram o rio São Francisco em busca de interações entre si, com a paisagem e com os povos ribeirinhos. Imagens, relatos e opiniões forma o relato do processo criativo da equipe, que percorreu o São Francisco de Januária/MG até Piaçabuçu/AL, onde o rio e mar se fundem.

Eles instalaram um ateliê num barco e desenvolveram trabalhos ligados à temática do rio e sua transposição. Os artistas envolvidos na Expedição Francisco foram Nabor Kisser, Márcia Vaitsman, Julio Meiron e Deyson Gilbert, Luísa Nóbrega Evandro Carlos Nicolau e Luiz Mizukami.

Cartas escritas pelo frei Gilvander Moreira, e as reflexões do jornalista Fernando Valença, do radialista Vitório Rodrigues e do engenheiro Otávio Carvalho sobre os impactos da transposição para as pessoas que vivem o e do rio, serviram de inspiração para os artistas produzirem suas obras e performances. O debate foi acompanhado pela ONG Ato Cidadão, através de José Vieira Camelo Filho, o Zuza.

Umas das performances que mais chamou a atenção foi a da artista Luísa Nóbrega, que fez todo o percurso de olhos vendados. Ela acabou a viagem com uma inflamação oftalmológica, por passar tanto tempo vendada. Para o proponente do projeto Julio Meiron, a expedição teve um efeito modificador para todos:

“Todos nós tivemos muita afinidade, cada autor escreveu sua parte, mas para todo mundo a idéia inicial era discutir a transposição do São Francisco, as obras de transposição e como isso está afetando a população. Isso refletiu no trabalho, na experiência do rio em si e nas comunidades, que estão em grande parte em transformação e o contato com essa realidade econômica”
Ele completa sobre o livro:

“Não tínhamos uma idéia do livro antes. Foi ao longo da expedição e depois dela que nasceu o livro. Queríamos interagir, trocar material e isso poderia se tornar uma exposição, material individual, uma mídia, mas acabou amadurecendo e se tornou a publicação coletiva”.

O projeto teve patrocínio da Funarte – Artes Visuais e da Prince Claus Funds for Cultura and Development.
Lançamento do livro Trans Posição Francisco será no dia 27 de novembro, sexta-feira, 19:30 horas, no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, ao lado do metrô Vergueiro, http://www.centrocultural.sp.gov.br/).

19h30 – Recepção dos convidados
20h00 – Mesa de debate com os autores/artistas
20h30 – Coquetel com mesa de autógrafos e exibição do vídeo
22h00 – Encerramento

Dados Técnicos:
Formato 23x18cm
137 páginas
Valor: R$ 35,00

Contatos:
Julio Meiron: juliomeiron@gmail.com
Marcia Vaitsman: marciavaitsman@gmail.com

Assessoria de imprensa
Nicolau Kietzmann
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fotos (alta e baixa resolução) da equipe SisLab

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Créditos: Divulgação
Nicolau Kietzmann
Assessoria de imprensa
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Lidiane Oliveira - Diretora LabSocial



Leila Bonfim - Diretora LabSocial





Lidiane Oliveira e Leila Bonfim - Diretoras LabSocial

Equipe LabSocial desenvolvendo projetos no Sislab.



Lab Social e a plataforma tecnológica Sislab

Lab Social e a plataforma tecnológica Sislab:
monitoramento e avaliação de programas e projetos sociais: Equilíbrio entre aprendizagem, resultados e custo

Formada há 15 anos, a Lab Social inicia-se como uma empresa voltada para formação e consultorias em desenvolvimento de equipes e na área de serviços sociais. Composta por técnicos especializados que buscam o equilíbrio nas necessidades geradas no ambiente social e empresarial de prestação de serviços. Com o passar dos anos, ela estende sua atuação para empresas privadas com estratégias de Responsabilidade Social tem com meta suprir as necessidades específicas das Secretarias de Governo, ONGs, Fundações, Institutos e Agências de Cooperação Internacional. A empresa reúne profissionais de vários campos do conhecimento e competências profissionais diversas que se articulam em equipes, na execução de serviços de planejamento, avaliação social e também na formação de técnicos e agentes sociais.

Constituída por uma equipe multidisciplinar de profissionais, a Lab Social tem o intuito principal de promover condições para construção e apropriação de conhecimentos em programas sociais de grande escala. Isto demanda capacidade de interatividade entre todos os agentes envolvidos visando superar a contradição existente entre viver numa época na qual a capacidade tecnológica de coletar, tratar e fluir informações, em todos os pontos do planeta, é tão alta, e utilizar procedimentos de pesquisa avaliativa centralizados, pontuais, no tempo e no espaço, em um ambiente social que se torna, a cada dia, extremamente complexo.

Em 2006, as sócias da Lab Social, Leila Bomfim e Lidiane Oliveira, reconhecem a necessidade de convergir a Metodologia de Avaliação de Programas e Projetos, já consolidada pela empresa, com a construção de uma plataforma tecnológica que viabiliza interações entre grupos e organizações envolvidos em planejamento, realização, gestão e investimentos de programas e projetos sociais.

Este grupo acredita que o planejamento e avaliação que, ao mesmo tempo, fosse um banco de dados com indicadores construídos individualmente para cada projeto ou programa social e que fosse capaz de apoiar coletas e tratamentos dando-lhes a devida visibilidade e acessibilidade a fim de democratizar a construção do conhecimento gerado em pesquisas avaliativas.

Desde então, a Lab Social vêm investigando softwares para apoio na interatividade entre os agentes e a empresa passa a usar o sistema de banco de dados como ferramenta essencial de trabalho, idealizando um sistema eletrônico de monitoramento, pesquisas avaliativas e ferramenta de conhecimento dos agentes envolvidos nos projetos. Nasce então, a Sislab, uma plataforma tecnológica em parceria com a Sayans Corp e apoio do arquiteto de informações, Alexandre Gomes Barbosa, com o aporte de novas tecnologias.

O sistema da plataforma tecnológica do Sislab é baseado no conceito da WEB 2.0, o que torna viável a construção de conteúdo participativo e cria condições de acessibilidade em qualquer ponto do planeta, além de elevar a relação custo-benefício de pesquisas avaliativas. A principal finalidade do sistema online é a democratização do acesso, construção e uso das informações produzidas em processos de monitoramento e avaliação. Os proveitos das organizações utilizando-se destes meios, vão depender da capacidade a ser desenvolvida de tornar as informações produzidas em matéria prima para refletir sobre o que fazem, planejar e melhorar suas intervenções sociais.

O período de implementação do SisLab é dependente do ciclo do projeto ou programa social. Entretanto, a obtenção dos primeiros resultados possui um prazo curto de, no mínimo, 3 meses para construção de banco de dados, gestão de um concurso e 12 meses, para a avaliação de processos.

O SisLab é um meio prático para coletar, tratar e disponibilizar dados, transformados em informações de resultados de processos e resultados finais das ações sociais. Pode ser utilizado como ferramenta de monitoramento e avaliação em redes de organizações sociais e acoplar serviços pontuais, como gestão de concursos de projetos e gestão financeira das instituições que organizam seu trabalho em programas e projetos. A possibilidade do monitoramento e avaliação em rede, que o SisLab atribuí aos agentes envolvidos, torna possível a conectividade e interação entre diferentes instancias de uma organização – gestores, assessores técnicos, executores, beneficiários - e das organizações engajadas no programa ou projeto.
Para conhecer mais: www.labsocial.com.br

Nicolau Kietzmann
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lançamento Fervo da Terra

Lançamento do livro Fervo da Terra da minha autora predileta e querida companheira de vida: Deborah Goldemberg. Em São Paulo, Porto Alegre e Mato Grosso.
www.fervodaterra.blogspot.com/

Pedra de Sol em Edição Bilíngue - Selo Demônio Negro

Crédito: Renata Forato


Pedra de Sol em Edição Bilíngue - Selo Demônio Negro
(Release e entrevista)

Pedra de Sol, do poeta mexicano Octavio Paz, laureado com o prêmio Nobel de Literatura em 1990, ganha uma tradução revisada em edição bilíngue após 20 anos. O tradutor e poeta Horácio Costa fez a primeira edição de Pedra de Sol em 1988, e é um dos mentores do projeto de divulgação da poesia paziana, na qual se aprofundou durante o período em que lecionou na UNAM, Universidade Nacional Autônoma do México.
Durante boa parte do ano de 1957, Octavio Paz se dedicou a mesclar história, cultura Maia e Náhuatl e simbologia durante a escrita de Piedra de Sol, poema que se tornaria um texto-chave de sua produção poética e é publicado original e na íntegra nesta edição bilíngüe do selo Demônio Negro da editora Annablume. A gigantesca Piedra de Sol, um importante monolito-calendário da civilização Asteca, foi idealizado com a função de organizar, num continuum mensurável pelo homem, o dever temporal. Por isso, é o objeto que empresta nome a este poema que pressupõe repetição cíclica, numa dinâmica sugerindo eterna continuidade, umas das grandes características do poema de Octavio Paz.
A versão em língua portuguesa procurou manter a intensidade da obra original, apesar de ter sofrido algumas transformações pontuais, subordinadas a aspectos importantes para o poeta Horácio Costa, principalmente a preservação da entonação e do ritmo, valores de respiração e dicção que via como marcas distintivas no texto de Octavio Paz.

Sobre o autor:

Horácio Costa (São Paulo-SP, 14/12/54). Formado em Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP, 1978); Mestre em Letras (New York University, 1983), PhD em Yale (1994). Professor na UNAM (México), 1987-2001. Desde então, é professor da FFLCH-USP. Publicou 28 poemas 6 contos (São Paulo, 1981); Satori (São Paulo, 89), O livro dos Fracta (México e São Paulo, 90), The very short stories (São Paulo, 91; México, 95), O menino e o travesseiro (São Paulo, 93; re-edição 03; México, 98); Los jardines y los poetas (Caracas, 94), Quadragésimo (México, 96 e São Paulo, 99) e Fracta — antologia poética (São Paulo, 04 e México, 09), Paulistanas & Homoerótias (São Paulo, 07 e Ravenalas (São Paulo, 08). Livro de poesia por publicar-se: Ciclópico Olho. Traduziu e publicou Octavio Paz (Piedra de Sol/Pedra de Sol, Rio, 88 e São Paulo 09), Elizabeth Bishop (Antologia Poética, São Paulo, 90), César Vallejo (Poemas Humanos; México, Rio e Lisboa, 92), Xavier Villaurrutia (Nocturnos; Lisboa, 94), José Gorostiza (Morte Sem Fim e Outros Poemas; São Paulo, 03); por publicarem-se Xavier Villaurrutia (Poesia Completa) e Blanca Varela (Canto Vilão). Organizou três eventos internacionais de poesia: "A palavra poética na América Latina, avaliação de uma geração" (São Paulo, Memorial da América Latina, 90; publicada em livro) e "O veículo da poesia" (São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, 98) e Mar Aberto – poesia em português e nas línguas da Espanaha: um diálogo histórico, uma futura aliança? (São Paulo, Centro Cultural da Espanha/Instituto Cervantes/Casa das Rosas, 07). Outros livros: José Saramago: o período formativo (Lisboa, 97 e México, 03) e Mar abierto: ensayos sobre literatura brasileña, portuguesa e hispanoamericana (México, 01;por publicar-se: São Paulo, 2010). Foi júri de vários certames literários na Venezuela, no México e no Brasil. Tem mais de 60 artigos publicados em livros e revistas internacionais. É assessor da Fapesp e da Capes. Tem poemas ou livros traduzidos ao espanhol, inglês, francês, romeno, macedônio e búlgaro. Foi presidente da ABEH — Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (06-08) e atualmente coordena o “Programa da Estudos da Diversidade (Homo) Sexual-PEDHS” da USP.

ENTREVISTA

Caros colegas,
segue a entrevista desenvolvida com Horácio Costa: Caso não possam publicar na integra, peço cuidado para que o sentido das perguntas e respostas não sejam modificados caso inseridos em outros textos.
Grato,
Nicolau Kietzmann

Um pouco sobre Pedra de Sol de Otacvio Paz e o tradutor e poeta Horácio Costa

A sua formação acadêmica o auxiliou de que forma no ofício de poeta ou a de poeta na academia?


Sou arquiteto de formação e escrevo poesia desde antes de entrar na FAU-USP. A um dado momento, nos anos 70, quis saber mais de literatura, não apenas de poesia: quis saber mais sobre o fenômeno literário, digamos assim. Comecei a freqüentar cursos na Letras e logo tentei matricular-me na pós em Letras, cheguei a fazer alguns cursos de pós como ouvinte. Mas a USP àquela época não permitia tais saltos. O jeito foi pedir uma bolsa para os Estados Unidos, para a New York University, onde fiz o mestrado e depois de um intervalo no México, onde aconteceu a mesma coisa do que na USP -isto é, não fui aceito para o doutoramento em Letras por ser originalmente arquiteto- a Yale, onde fiz o PhD. Nas duas universidades nas quais fiz carreira acadêmica, na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e na USP, primeiro não fui aceito como aluno e logo ganhei concurso como professor de Letras. Isso diz algo, não?

Sua atração pela obra do mexicano Octavio Paz surgiu durante sua atuação como professor da UNAM entre 1987 e 2001?

Vivi no México por dois períodos (1983-4, entre o M.A. e o PhD.; e 1987-1997). Desde o primeiro, entrei em contato com o Octavio Paz, quem a princípio foi muito generoso comigo. Senti a barra da situação de excepcionalidade na qual ele vivia no México de então, e fui um dos primeiros a escrever sobre a sua maravilhosa biografia de Sóror Juana Inés de la Cruz (1642-1690). Já tinha estudado a sua poesia em Nova Iorque, e escrito um ensaio, justamente, sobre Pedra de Sol (em 1982, num curso do saudoso John Alexander Coleman). Me fascinou como um poeta podia ter tamanha ressonância e uma voz tão poderosa em seu país, e como a sua produção poética era ao mesmo tempo ambiciosa e cosmopolita e tão próxima a temas de sua cultura de origem.

Qual é a importância da obra de Octavio Paz em sua trajetória de poeta? O senhor tem formação em Arquitetura, a valorização da linguagem se deve ao fato de esse poeta mesclar estética ao seu trabalho?

Tinha vinte e oito anos quando comecei a conviver a bem dizer semanalmente com Octavio Paz, em 1983. Pouco depois, houve a homenagem de Estado ao poeta, quando ele cumpriu setenta, no ano seguinte. Foi lá que estreitei os laços com Haroldo de Campos. Éramos os dois poetas de língua portuguesa naquele evento e nos aproximou o grande crítico literário uruguaio Emír Rodríguez Monegal, quem se tornaria o meu orientador em Yale. O cenário mexicano daquela época, sob o predomínio do PRI, era muito interessante para um brasileiro que vinha de uma ditadura militar, como eu. A relevância da cultura naquela sociedade, ainda que um pouco baseada em ideais de princípio do século passado, era a bem dizer oposta ao que eu experimentara em casa, e Octavio Paz estava no meio disso. Entre ele e Haroldo havia a ideologia comum de assentar as bases de uma tradição de vanguarda latino-americana, com as diferenças que os contextos mexicano e brasileiro pressupunham. Naquele momento da minha escritura poética, aprendi muito com Paz, e traduzir Pedra de Sol fez parte desse aprendizado.

Evidentemente, quem estudou arquitetura está preparado para encarar o fato literário como uma experiência da linguagem para lá dos signos verbais, o que me facilitou sobremodo entender certos vieses barrocos na poética de Paz -e na de Haroldo, e em geral, diga-se de passagem-, que se casam com postulados e concreções da vanguarda. Sou um fascinado pelo barroco, inclusive pela pintura e pela arquitetura barrocas.

A tradução desse poema já havia sido publicada na década de 80. Por que a escolha de relançar uma edição desse poema em 2010? Algo mudou? O quê?

Sim, é uma re-edição da tradução de um poema importante, cuja edição se esgotou há anos. O fato de sair em 2009 e não em 2011 ou 2001 é fortuito. O Vanderley Mendonça, da Annablume/Selo Demônio Negro, publicou o meu livro de poemas Ravenalas, no ano passado, e assim começamos uma relação poeta/editor que tem sido muito boa e é muito rara. Ele me perguntou o que eu queria publicar depois e lhe comentei que o poema longo do Paz estava esgotada há muitos anos. Ora, um poema como esse fica cada vez mais importante com o tempo.

Essa é apenas uma das maravilhas da poesia. Sua legibilidade só faz aumentar. É o que acontece, por exemplo, com os poemas de Gôngora, por séculos esquecidos e logo postos na berlinda. Ou as Leaves of Grass e Whitman. Quer saber o que eram os Estados Unidos pré-imperiais? pois, leia-se Whitman, ponto. E porque ler Pedra de Sol apenas em espanhol se temos uma tradução ao português aprovada pelo próprio poeta, como é o caso desta? Também, creio que muita gente se pergunta sobre os meus poemas longos, que venho publicando desde o princípio de minha escritura poética. Pois eu ajudei a recolocar o poema longo na pauta da poesia brasileira contemporânea, tenho inclusive escrito criticamente sobre o formato “poema longo” nos últimos anos, e tive lá meus modelos. Pedra de Sol é um deles.

Por que Pedra de Sol é um poema tão importante?

Em 1790, a Pedra de Sol, o grande calendário asteca, foi desenterrado no pátio do Palácio Arquiepiscopal, na Cidade do México. O Iluminismo latino-americano tem nessa vinda à luz de um monumento pré-hispânico um de seus momentos mais significativos. Ou seja, a Pedra de Sol, que hoje está exposta no magnífico Museu Nacional de Antropologia, é de fato um ícone mexicano maior. Simboliza muito. Octavio Paz encarou esse fato de frente: escolheu um número de versos (584) que corresponde não ao calendário solar, ocidental, mas àquele que organizava alguns ciclos histórico-míticos antes da chegada dos europeus, e que davam origem aos diferentes “Sóis” (ou eras) do mundo asteca (contagem de tempo circular que foi interrompida, claro, pela chegada da concepção linear do tempo, judaico-cristã), e não se deteve em “atualizar” essa visão temporal -cíclica- com uma espécie de fluxo de consciência muito próprio da modernidade, que se contrapõe, como é sabido, ao dito devir temporal linear; por isso, o poema repete-se infinitamente, e os último quatro versos retomam os primeiros, tudo organizado ao redor da imagem de uma fonte que não para de jorrar, como árvore liquida, uma pletora de significantes.

O selo Demônio Negro faz edições muito especiais com grande valor estético, por que a escolha de uma edição bilíngue?

Por motivos óbvios: há muita gente que fala as línguas nas quais os poemas foram escritos numa comunidade plurilíngüe como São Paulo; não esquecer que o Brasil é um país de imigração, até hoje; ainda, que há um público leitor, universitário ou não, que estuda ou estudou essas línguas. Por outro lado, eu acho que a tradução só ganha com a presença física do original: mesmo porque a tradução em si é uma recriação, e o leitor interessado pode acompanhar pari-passu os riscos, os acertos e os erros do tradutor, o que faz com que a leitura torne-se exponencialmente mais rica.

Durante a tradução do poema como foi manter o ritmo, a simetria e o nível de semântica sem perder a intensidade da obra original? Quais são os maiores desafios de um tradutor de poesia?

A proximidade entre o português e o castelhano facilita e ao mesmo tempo dificulta muito a tradução, especialmente a de poesia. Resolvi transformar em decassílabos os hendecassílabos originais, porque a nossa língua é mais compacta. Mas às vezes, não é: revela-se mais espraiada... Por outro lado, há palavras e construções específicas que se traduzem muito mal. Exemplo: a primeira palavra do poema é “sauce”, i.e., “chorão” ou “salgueiro”, mas a primeira é uma palavra imprópria para abrir um poema com a altura de Pedra de Sol, mesmo porque dá margens a dupla interpretação, e a segunda, é longa demais, quebrava o ritmo... então, optei pela família botânica -“sálix”; todo chorão ou salgueiro é antes de mais nada um sálix; ‘tá bom, é um cultismo, mas não disse que gosto do barroco?

Qual é o tema principal do poema Pedra de Sol? Por que ele pode ser considerado como um “projeto estético-verbal”?

O tema principal é o tempo, não em sua concepção regular: é o devir, que implica, como possibilidade, em repetição. No tempo cabe tudo: amores, história, infância, a Literatura. Ainda: é o não-tempo, ou seja, aquilo que se furta ao tempo na consciência: o momento do gozo, o da perda ou entrega do sujeito no Outro, o “mundo dos pronomes enlaçados”. Sem essa possibilidade, parece dizer o poema, seríamos escravos do tempo, circular ou não. É esse destempo que devemos defender para sermos cada vez mais livres e nós mesmos, frutos do tempo e do acaso.

Quanto ao segundo tópico: parece-me uma “arquitetura verbal”, como um daqueles arcos de triunfo efêmeros que se erigiam no período barroco, e que eram destruídos no dia seguinte, origem, diga-se de passagem, de todo o nosso espírito festivo, carnavalesco. O calendário toma corpo, digamos, no entre-ar, no momento da leitura; escorregamos por ele como a nossa mente e o nosso olhar sobre um mandala oriental, e logo, podemos recomeçá-lo, ou voltar à leitura algum tempo depois. Esteticamente, essa idéia de materialização imaginária (paradoxo, claro) e de retorno circular, previstas conceitualmente pelo próprio poema, faz com que ele possa ser visto como um projeto estético-verbal.

Qual é seu trecho favorito do poema?

São muitos. Ninguém prefere as terças feiras e se recusa a viver, por exemplo, os sábados. Pedra de Sol flui magnificamente bem e, “poema de uma geração” como foi tratado desde o seu aparecimento, há mais de cinqüenta anos, nas letras mexicanas, não cessa de atualizar-se cada vez que é surpreendido pelas gerações mais jovens. É um momento alto das letras hispano-americanas, e o Brasil só tem a ganhar se conhecer melhor os seus vizinhos.

Bate papo: José Roberto (Diretor Annablume) e Cristina Freire - Conceitualismos do Sul

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Felipe Ehrenberg - Lançamento Conceitualismos do Sul

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Lançamento Pedra de Sol - São Paulo

Segunda-feira, dia 23/11, na liv. da Vila da alameda Lorena.
Haverá aleitura da obra feita pelo Horácio Costa (tradutor) e Lourdes Guisandera


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Conceitualismos do Sul/Sur




A publicação traz uma coletânea de textos de estudiosos da arte intercalados com depoimentos de artistas sobre a produção do movimento Conceitualista na América do Sul nas décadas de 60 e 70. O período marcado pelas ditaduras no continente colocou em xeque o papel da arte contemporânea, obrigada a se debater em um contexto social e político extremo. O Conceitualismo veio como resposta e tinha como paradigma contestar a arte como instituição.

Resultante do Seminário “Conceitualismos do Sul/Sur” realizado no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (2008), que contou com o apoio da FAPESP e do Centro Cultural de Espanha em São Paulo e Buenos Aires, o livro é organizado por Cristina Freire – docente e curadora do MAC-USP – e Ana Longoni – escritora, pesquisadora e docente da Universidade de Buenos Aires–, que desenvolveram estudos e entrevistas em português e espanhol.

“Trabalho há 15 anos pesquisando Conceitualismo. Em 2007, em Barcelona, descobri que existiam vários pesquisadores sobre o tema no mundo e na América Latina, como por exemplo, no Peru, Uruguai, Chile e Argentina. A relação com a violência na ditadura e a falta nos acervos e, conseqüentemente, a ausência nos museus, abriu uma lacuna na memória. Assim, decidimos formatar esse livro para preservar ainda mais esse movimento artístico”, afirma Cristina Freire.

A pesquisa envolve o projeto artístico de Beau Geste Press/Libro Acción Libre, entrevista com os artistas Felipe Ehrenberg, Paulo Bruscky, Clemente Padín, Graciela Carnevale, Antoni Mercader. Apresenta também estudos sobre patrimonialização da arte Conceitual: Grup de Treball (Antoni Mercader), um texto sobre “A guerrilha cultural no Peru em 1970 (Emilio Tarazona e Miguel López López)”, e imagens de obras e de artistas.

Sobre as organizadoras:

Cristina Freire:

Docente e curadora do Museu de Arte Contemporanea da Universidade de São Paulo. Publicou diversos artigos em revistas especializadas nacionais e internacionais assim como é autora dos livros: Além dos Mapas. Os Monumentos no Imaginário Urbano Contemporâneo, São Paulo, Annablume/Fapsp,1997; Poéticas do Processo . Arte Conceitual no Museu; São Paulo, Iluminuras,1999 Arte Conceitual, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2006, entre outros.

Ana Longoni:
Escritora e pesquisadora do CONICET e docente da Universidade de Buenos Aires (UBA). Publicou recentemente entre outros livros. Publicou recentemente entre outros livros: Del Di Tella a Tucumaán Arde (Buenos Aires, El cielo por asalto, 2000, reedición: Eudeba, 2008). Traiciones: La figura del traidor em los Relatos acerca de los sobrevivientes de lá represión, (Buenos Aires, Norma, 2007) e o volume coletivo El Siluetazo (Buenos Aires, Adriana Hidalgo Editora, 2008).

Lançamento:


Dia 28 de outubro de 2009, quarta-feira, das 18:30 hs às 21:30hs.
Livraria Martins Fontes Paulista - 11 2167 - 9900
Av. Paulista, nº 509 - São Paulo - SP (próximo à Estação Brigadeiro do Metrô)

Contatos de fontes:
Cristina Freire: 11- 9809-8183 / 3091-3392 E-mail: cfreire@usp.br
Felipe Ehrenberg- Artista Mexicano que participa do livro –
11 – 3375-6407 / 8187-8527

Dados Técnicos:
Conceitualismos do Sul/Sur
Cristina Freire e Ana Longoni (Orgs.)
Formato 16x23 cm, 362 páginas
ISBN: 978-85-7419-957-3

Assessoria de imprensa
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Fotógrafo Claudio Edinger lança seu 1º romance - Um Swami no Rio




A história de um iluminado na Cidade Maravilhosa

O primeiro romance do fotógrafo Claudio Edinger, Um Swami no Rio, uma história mística e policial, em que Jaime, o protagonista, conhece um indiano iluminado que vai mudar sua vida. Edinger surpreende na sua primeira obra literária, com uma intricada e divertida trama construída num estilo leve e despretensioso que prende o leitor do começo ao fim.

A trama gira em torno da busca pelo auto-conhecimento de Jaime e as descobertas reveladas pelo swami, um título hindu iogue. Paralelamente, ocorre o seqüestro de sua amiga Teresa. A história, então, começa a transcorrer em paisagens que vão desde favelas no Rio de Janeiro, passando pelos Estados Unidos, até viagens emblemáticas na Índia: “O livro acontece no Rio de Janeiro, que, apesar de nunca ter morado lá, é a cidade onde nasci e vai ser sempre um dos meus lares. E se passa também em grande parte na Índia porque não existe lugar no planeta mais intrigante, surreal e divertido do que lá”. O autor ainda completa:

“O leitor, conduzido pelo olhar do fotógrafo e narrador-personagem, entra em contato com uma visão global, que apreende diversas referências, mas que não se cristaliza diante das situações. Jaime é, sobretudo, um espectador antropológico, um ouvinte e um contador de histórias. A diferença entre ele e a maior parte dos personagens reais que habitam as grandes cidades hoje é a capacidade de perceber as coisas que estão à sua volta e se envolver, tendo consciência de que todas as coisas se comunicam e se relacionam”.

Edinger se formou em economia aos 22 anos, mas decidiu seguir carreira de fotógrafo. Já conviveu com Judeus Ortodoxos do Brooklin, morou cinco anos no excêntrico Hotel Chelsea, em Nova York, no Venice Beach, na Califórnia. Nos últimos 20 anos em busca de imaens, passou por Havana, Rio de janeiro, sertão da Bahia, São Paulo e, especialmente, pela Índia. Para ele, Um Swami no Rio “é uma combinação do que vivi e vivo com uma boa pitada de criatividade. A vida do swami Dayanand, personagem do indiano iluminado, é baseada em grande parte na vida e nos ensinamentos de Paramahansa Yogananda, a quem sigo desde que li sua autobiografia em 1975. A respiração iogue (pranayama) altera o design do cérebro e modifica tudo no homem. Claro que não é uma fórmula mágica, que dá certo para todos. Mas quando dá certo, é um grande barato e altera radicalmente o cotidiano, introduz transcendência em nossas vidas”.

Claudio Edinger é fotógrafo profissional, autor de 13 livros fotográficos, premiados internacionalmente. Suas fotos fazem parte dos acervos dos maiores museus e de grandes colecionadores brasileiros. Ele segue os ensinamentos de Paramahansa Yogananda e pratica ioga e meditação desde 1975.

Um Swami no Rio
A História de Um Iluminado na Cidade Maravilhosa
Autor: Claudio Edinger
Editora Annablume
Selo [e] editorial
Formato 16x23cm, 256 páginas
Valor: R$ 40,00

Contatos:
Claudio Edinger: cel: 5511 8447 0777 /11 3667 7661 / edinger@terra.com.br / http://www.claudioedinger.com/

Assessoria de imprensa
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Livro O Fervo da Terra será Lançado em Cuiabá

Credito - Bruna Pasquini

O Fervo da Terra será Lançado em Cuiabá

A escritora e antropóloga Deborah Goldemberg fará o lançamento de seu mais novo livro no próximo dia 8 de outubro na FLIMT – Feira do Livro Indígena de Mato Grosso –, no Pavilhão Palácio, às 17 horas, no estande da própria editora.

Sobre a obra
A novela da escritora e antropóloga Deborah Goldemberg é uma epopéia dos migrantes gaúchos para os estados do Norte em busca de novas oportunidades e os conflitos que surgiram quando eles se depararam com a “corrida do ouro” nos anos 90, acompanhada da criação de cidades e vilarejos com crescimento desordenado, o que estremeceu o equilíbrio das comunidades rurais e indígenas. Com enredo cheio de tramas que envolvem as relações familiares, a ganância do ganho rápido do dinheiro com o ouro, as paixões, a conquista moral e suas derrotas, o texto ainda tem o cunho ambiental.
O prefácio é do renomado Sociólogo José de Souza Martins, Professor Emérito (2008) e Professor Titular do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), que recentemente lançou um livro com o mesmo tema:

“A narrativa de Aké tece a visibilidade da trama de ocultações que enredam a vida de cada um nos liames da tumultuada e violenta ocupação da fronteira.”, diz o professor.
O texto é baseado na linguagem multiétnica e transbrasileira em que Deborah Goldemberg faz o leitor viajar nas relações sociais, nas tentações que levam até os homens mais dedicados irem à bancarrota, miseráveis conquistarem seu espaço social, brancos, negros e índios trocarem seu papel que tanto uma sociedade insiste em manter como tradição.

“Viajei muitos anos pelo Brasil participando de projetos de desenvolvimento junto a comunidades quilombolas, indígenas e até com grandes produtores e fazendeiros. Assim conheci a realidade brasileira, as misturas étnicas, os diversos credos, seus sonhos e seus anseios. Aos poucos, o ímpeto de transformar aquela realidade cedeu a um encanto cada vez maior pelas coisas como elas são e eu soube que tinha que escrever sobre tudo isso...”, conta a autora.

Com o Mato Grosso de pano de fundo, Estado que foi amplamente ocupado por gaúchos, os principais personagens do livro são a família de Seu Luis, o índio Aké Panará - que é separado de sua família logo na infância, quando seu povo perde suas terras -, e o negro Messias, líder do garimpo, que invade as terras de Seu Luis e muda o rumo da história de todos na região.

Chama a atenção, a voz do narrador, que Prof. Martins caracteriza como, “Eco da sonoridade barroca que ficou por aí na fala cantada do povo sertanejo e nas sutilezas do duplo sentido que a caracteriza e que é o seu conteúdo. O que nela importa é a correção das idéias na dialética dos opostos que lhe dá sentido”. Em sua opinião a formação antropologica e o talento literário da autora que, “a tornaram sensível aprendiz da língua do sertão, aquela fala cheia de rebuscamentos e sonoridades de obra de arte”. A autora explica: “Percebendo que esta voz estava viva em mim, que eu conseguia mimetizá-la, eu me dei a liberdade de nela escrever. Erra quem pensa que Aké ‘fala errado’. Ele narra num misto de sua língua nativa e um português impregnado de diversas influências. O multilinguismo, na minha opinião, ainda é a principal característica da prosa falada do brasileiro.”
Sobre a autora

Deborah Goldemberg nasceu em São Paulo, em 1975, é antropóloga e escritora. Atuou na área de desenvolvimento local sustentável no Norte e Nordeste do Brasil durante uma década. Estreou com o livro Ressurgência Icamiaba (Selo Demônio Negro, Ed. Annablume, 2009), após publicar diversas crônicas e poemas em coletâneas. Agitadora da literatura transbrasileira e multiétnica, foi curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas (2009), é colunista do projeto internacional de blogueiros Global Voices e da revista eletrônica Oca das Letras. Visite o blog: http://fervodaterra.blogspot.com/

Autora: Deborah
Edição: 1ª
Data de Publicação: 2009
ISBN: 978-85-99146-78-1
Tamanho: 13,8 x 20,8 cm
Nº de páginas: 96
Gênero: Literatura / Ficção
Editora: Carlini & Caniato Editorial
Preço: 20,00
Contatos:
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Brasileira é uma das escolhidas da América Latina para participar da competição TH!NK ABOUT IT 2009 sobre Mudanças Climáticas




Brasileira é uma das escolhidas da América Latina para participar da competição TH!NK ABOUT IT 2009 sobre Mudanças Climáticas

Deborah Goldemberg, escritora brasileira, foi convidada para o lançamento do TH!NK ABOUT IT (PENSE N!SSO) 2009 em Copenhaguem, nos dias 21 e 22 de Setembro, para receber um treinamento de jornalistas especializados em meio ambiente e imergir em uma sociedade com grande preocupação com sustentabilidade. Hoje participa da competição mundial direcionada à blogosfera em que os ganhadores participarão da COP 15, Copenhaguem, em Dezembro de 2009, acompanhando a imprensa.
Quem: A ONG EJC (European Journalism Centre) realiza a segunda edição de sua competição anual de blogueiros internacionais, TH!NK ABOUT IT, sobre o tema de mudanças climáticas com a participação de 81 blogueiros de diversos países europeus, além de convidados especiais do Brasil, Índia, China, África do Sul e Estados Unidos. O evento é patrocinado pela União Européia.
Quando: A competição foi lançada em 21 de Setembro, em Copenhaguem, e dura três meses.

Como: Os blogueiros convidados participaram de um evento de lançamento em Copenhaguem, onde foram treinados por jornalistas que atuam no tema ambiental (da National Geographic, Der Spiegel etc) e visitaram uma ecovila dinamarquesa. A partir daí, os blogueiros tem que postar no mínimo três posts por mês no blog criado pela EJC. Os posts de maior sucesso serão premiados com equipamentos tecnológicos e as três melhores atuações serão premiadas com um Mac Pro e a ida para a COP 15 (Conferência do Clima - Copenhaguem) em Dezembro de 2009 acompanhando a imprensa.
Onde: Copenhaguem, Dinamarca - http://climatechange.thinkaboutit.eu/think2/
Porque: O objetivo da competição é encorajar os blogueiros mundiais a desenvolverem textos sobre o tema das mudanças climáticas e como isso vêm afetando suas vidas.

Deborah Goldemberg:
Quem: Deborah um de três participantes que representam o Brasil na competição. Deborah Goldemberg nasceu em São Paulo, em 1975, é antropóloga e escritora. Atuou na área de desenvolvimento local sustentável no Norte e Nordeste do Brasil durante uma década. Estreou com o livro Ressurgência Icamiaba (Selo Demônio Negro, Ed. Annablume, 2009), após publicar diversas crônicas e poemas em coletâneas. Agitadora da literatura transbrasileira e multiétnica, foi curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas (2009). Na blogosfera é colunista do blog internacional Global Voices (projeto desenvolvido pela Universidade de Harvard) e da revista eletrônica de Oca das Letras.
- Posts pelo Global Voices: http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/
O que? Para sua participação do TH!NK ABOUT IT 2009, Deborah criou a personagem fictícia Tatik, uma antropóloga indígena, que vive em Montik, e está em Copenhaguem fazendo pesquisas antropológicas sobre a Eco Sociedade sob a supervisão do Professor Loitik. A idéia é lançar um olhar antropológico sobre o universo dos militantes ambientais, caracterizando sua visão de mundo e suas falácias.
Onde: http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/ e http://climatechange.thinkaboutit.eu/think2/blogger/goldemberg
Contatos: 11 5052-7384 ou 9954-0982. E-mail: http://br.mc655.mail.yahoo.com/mc/compose?to=debbiegoldemberg@yahoo.com.br

Arquitetura: do Oriente Médio ao Ocidente - Uma revisão profunda na história da arquitetura do Renascimento europeu.



Arquitetura: do Oriente Médio ao Ocidente - Uma revisão profunda na história da arquitetura do Renascimento europeu.

Uma revisão profunda na história da arquitetura do Renascimento europeu. É o que propõe o arquiteto e pesquisador Andrea Piccini em seu livro Arquitetura: do Oriente Médio ao Ocidente. Evidenciando a forte influência da cultura árabe-islâmica e turco-islâmica em Florença, decorrente das trocas comerciais e das cruzadas, Piccini apresenta um novo paradigma – muito além das heranças greco-romanas – para se compreender as manifestações arquitetônicas no período na Itália, berço das inovações renascentistas que ecoariam por toda Europa.

Na apresentação, Julio Katinsky, professor da FAU-USP, deixa clara a relevância do estudo de Piccini:
“Seguindo essa tendência, acredito que podemos considerar a Escola da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo)-USP, como foro privilegiado de uma nova histografia da Arte da Arquitetura entre nós do Brasil. Para isso, os fundamentos foram oferecidos principalmente por Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes, sem esquecer obviamente, Liwis Morgan e Claude Levi- Strauss. É a essa escola que se filia o estudo de Andrea Piccini”.

O interesse do autor se desenvolveu ainda na universidade, quando cursava a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Florença e teve os primeiros contatos com a cultura arquitetônica oriental:
“Tudo começou quando estava na Universidade: enquanto todos estudavam matérias tradicionais, eu já desenvolvi a curiosidade por detalhes das residências árabe-islâmica e turco-islâmica e suas influências. Como, por exemplo, Jerusalém, que foi anexada ao novo império árabe e era um símbolo religioso, e se tornará um motor de transmissão de elementos arquitetônicos. No ano de 1099, a cidade foi conquistada aos árabes pelos cruzados, que a administraram até 1187, quando a cidade foi conquistada por Saladino. Passou novamente a ser administrada pelos árabes, que, com exceção do curto período de reconquista dos cruzados (de 1229 a 1224), a governaram até 1260.”

O livro ilustrado mostra detalhes das influências com imagens feitas pelo autor e várias cidades do Oriente Médio e da Turquia. Piccini antecipa também na obra trechos de sua pesquisa atual, que evidencia o diálogo da arquitetura florentina com as culturas da Ásia Central e mesmo do extremo Oriente, resultado das trocas comerciais que se realizavam pela famosa Rota da Seda.

Arquitetura: do Oriente Médio ao Ocidente traz ainda um glossário de termos arquitetônicos em árabe, turco, armênio e português, e a cronologia de 570 a 1198, com consultas dos períodos mencionados, dinastias e datas históricas, além de documentos datados em 1390, 1402, 1413 e 1463.

Sobre o autor: Formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Florença, Itália é mestre em Arquitetura na Área de Tecnologia do Ambiente Construído pela EESC/USP. Defendeu seu doutorado em Engenharia Urbana no Depto. De Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica/USP.
É mestre em Cultura Médio Oriental na Área de Concentração Literatura e Cultura Médio Oriental, Depto. De Línguas Orientais da FFLCH/USP, onde acompanha como professor convidado pesquisas e teses sobre arquitetura árabe no Oriente Médio. É professor convidado e coordenador do Brasil no Centro de Pesquisa e Documentação, Tecnologia, Arquitetura e Cidade nos Países em Desenvolvimento-Departamento Cada Cittá-Faculdade de Arquitetura, Politécnico de Torino-Itália, para atividade de graduação e pós-graduação.
Membro do comitê de Arte e Cultura da Câmara de Comércio, Industria e Turismo Brasil-Turquia de São Paulo e do ICARBE – Instituto de Cultura Árabe de São Paulo.

Para entrevistas, pedidos de imagens e exemplares:

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Escravos e Libertos nas Minas Gerais do Século XVIII



Escravos e Libertos nas Minas Gerais do Século XVIII
Estratégias de resistência através dos testamentos

O livro Escravos e Libertos nas Minas Gerais do Século XVIII chega a 3ª edição, que será lançada dia 1 de outubro de 2009, na livraria Quixote em Belo Horizonte, às 19h. O texto, originalmente a dissertação de mestrado do professor do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Eduardo França Paiva, tem uma linguagem leve e traz ao leitor uma revisão da história do séc. XVIII em sua estrutura social com o estudo de 357 testamentos entre os anos de 1720 e 1785 de homens e mulheres livres moradores da Comarca do Rio das Velhas na Capitania de Minas Gerais.
Para o autor, o livro se torna atual e desperta a curiosidade do leitor principalmente pelas informações levantadas em uma extensa pesquisa e que ainda são pouco conhecidas. Eduardo Paiva revela uma sociedade em que o escravo compra sua alforria em parcelas, processo conhecido como coartação: “O livro derruba a tese popular que eu chamo de ‘imaginário do tronco’. O escravo parcelava sua liberdade, negociando com o seu proprietário, em parcelas em 4 ou 5 anos, uma espécie de crédito da liberdade. Depois aspira socialmente, inclusive as mulheres, e adquire posses e escravos’.
Outro ponto interessante da obra é a formação da família matri-focal, da mulher livre e não branca, que redesenha a família na época em que essa mãe, sem marido, trabalhava e sustentava os filhos. Segundo Paiva, este dado novo dá luz a uma economia e a cultura deste grupo social que ainda não é conhecida e cuja abordagem historiográfica ainda é incipiente, mas evidencia que os escravos e libertos eram agentes históricos importantes.
A apresentação tem o cunho do Prof. Doutor da UFMG Douglas Cole Libby que discorre: “...às vezes, os testamentos constituíam verdadeiras histórias da vida, claro que na visão do morimbundo. Estas são as ricas fontes que revelam uniões entre livres e escravas, relações familiares pouco ou nada convencionais e alforrias de toda sorte, exeplarmente exploradas no texto...Outro ponto de originalidade reside na recusa em catalogar atitudes e comportamentos de escravos em nítidas categorias divididas, sobretudo, entre a rebeldia e submissão...”.
Eduardo França Paiva: Graduado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989), é mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (1999), com estudos pós-doutorais na EHESS-Paris (2006/2007).
Atualmente é Professor Associado da UFMG, coordenador do Programa de Pós-graduação em História e diretor do centro de estudos sobre a Presença Africana no Mundo Moderno-CEPAMM-UFMG.
É pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, líder de grupo de pesquisa UFMG-CNPq, pesquisador associado ao MASCIPO/CERMA/EHESS-Paris, ao GDRI Esclavages - CNRS/EHESS-Paris e à EEHA/CSIC-Sevilla (projeto Las Fronteras y sus Ciudades-séc.XVI-XVIII).
Foi professor visitante na Katholieke Universiteit Leuven (2006), na Universidad Pablo Olavide-Sevilla (2009) e pesquisador visitante na Escuela de Estudios Hispano-Americanos de Sevilla (2007 e 2009).
Dados Técnicos:
Formato 16x23cm
284 páginas
ISBN 978-85-7419-982-5
Contatos:
Eduardo Paiva: 31-3377-2689/3047-2689/9731-5412
Rua Fernandes Tourinho, 274, Belo Horizonte, MG
Endereço da livraria Quixote: Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi, Belo Horizonte
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Diversidade da Gastronomia de Mato Grosso


O livro Diversidade da Gastronomia de Mato Grosso traz aos apaixonados e curiosos da gastronomia brasileira 73 receitas típicas do Mato Grosso. Uma coletânea que resgata os sabores regionais com a assinatura da Chef Edna Lara e recheada de imagens e dicas saborosas que praticamente caíram no esquecimento da cozinha popular.
Edna saiu de Mato Grosso e foi para o Rio de Janeiro onde morou e trabalhou por 34 anos, se formou em Direito, Administração e em Gastronomia e Culinária na Estácio de Sá. Ao voltar à sua cidade natal, Cuiabá, começou a recuperar as receitas usadas por sua mãe Nympha Escolástica, hoje com 97 anos. Trocou as pitadas por métricas e resgatou as receitas que poucos se lembram, como o Cozidão Cuiabano ou a curiosa receita Mulher Parida:
“Fiz mais que uma pesquisa, busquei na minha infância e no tempo que ficava com minha mãe na cozinha, e desenvolvi as receitas que acreditei ter mais relevância. Espero produzir mais um livro com o restante das receitas, nossa cultura gastronômica é muito rica, uma mistura africana, indígena e portuguesa com inúmeros pratos”.
Essa diversidade ainda ganha mais ênfase com receitas como o filé de carne de jacaré, empanado, Maria Isabel (carne-seca com arroz), mujica de pintado, sopa de banana-da-terra verde, furrundu - doce que é feito com mamão verde, rapadura e gengibre ou a surpreendente feijoada cuibana que entre outros ingredientes poucos usados nas cozinhas tradicionais brasileira leva ossos de joelho de boi com cartilagem (catuni).
Todas as receitas tem um tom descontraído e as receitas são de fácil preparo:
“Sou uma pessoa com uma história muito feliz de vida e gosto de encarar tudo com muito bom humor, felicidade e a alegria típica do nosso povo. Esse livro é a forma que encontrei para deixar o meu legado de vida, um pouco da história da minha família e do estado de Mato Grosso, que me trouxe tantas felicidades”.
O livro também tem dicas de Bárbara Azevedo, enófila, para a harmonização das receitas com vinhos, e de João Carlos Vicente Ferreira - presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso -, discorrendo sobre a importância da coletânea cultural ligada ao paladar e ao gosto da região.

Sobre a Autora:
Edna Lara nasceu em Cuiabá, Mato Grosso. Formou-se em Direito (1971), Administração de Empresas (1975) e em Gastronomia e Culinária (2005), além de ter frequentado diversos cursos de Gastronomia com destaque para o midiático Chef Alvaro Rodrigues. Ministrou cursos de Comida Equatoriana – Literamérica 2006; Culinária Regional na Faculdade de Gastronomia da Universidade de Cuiabá e Culinária Regional no Centro Cultural Casa Cuiabana. Atualmente dedica-se a realizar eventos gastronômicos. No mês de julho passado, assinou o I Festival da Gastronomia de Mato Grosso, realizado no Hotel Deville Cuiabá.

Contatos: (entrevistas, imagens, pedido de exemplar etc.)
Nicolau Kietzmann
Assessoria de Imprensa
nicolau.press@gmail.com
11-3070-3336 / 11-8273-6669
Chef Edna Lara: 65 - 9972-2164

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Métodos Extremos de Sobrevivência




Em Métodos Extremos de Sobrevivência lançado, no dia 07 de julho, no Sesc Pinheiros, e em Belo Horizonte, no próximo dia 23 de julho, a jovem escritora Márcia Bechara oferece uma narrativa ousada em prosa poética e provoca o leitor a conhecer personagens e tramas que desafiam a condição humana em suas particularidades e idiossincrasias. O assombro pode a vir logo na primeira página de um dos 16 contos como em o Cavalo, que Gadalupe é um travesti de proporções físicas e psíquicas descomunais:

“Não adiantou parar, pedir perdão. Gadalupe, em silêncio, foi lanhando tudo, no raciocínio dos animais. Sangrava a caça. Só as costas cravando a lâmina para cima e para baixo. A peruca fogosa despencando o crânio pela têmpora esquerda, os esguichos de sangue quente daqueles porcos. No fundo, o sol quente e pastoso”

Ainda cultivar o leitor e fazer com que sinta uma alfinetada como no último texto do livro, Epidemia – Quando um pogrom elimina uma espécie, com:

“Aquela pequena massa egoica e ensismada acabou por destruir as possibilidades de futuro, a troco de raivas embutidas, aquelas raivas sem nome que nos apoderam, atávicas, quando estamos em estado de esperança”

O leitor faz uma leitura de fôlego, talvez em poucas horas devore todas as páginas, mas não será duvidoso que ele leia de novo, pois não há como sair perplexo e com duvidas em acreditar no irreal ou se é apenas algumas cenas de nosso dia-a-dia.

FICHA TÉCNICA DO LIVRO
Métodos extremos de sobrevivência
Autora: Márcia Bechara
Páginas: 112
ISBN: 978-85-85938-53-6
Editora: Publisher Brasil
Preço: 25,00

O projeto leva o selo do Programa de Ação Cultural do Governo de São Paulo, editora Publisher Brasil. Autora de Alegoria para Dinorah (Mazza Edições, 1994) e há dois anos lançou Casa das Feras (7 Letras, 2007) e em 2009, Márcia Bechara, Jornalista, escritora e atriz radicada em São Paulo há 11 anos, natural de Belo Horizonte, participa de duas antologias inéditas, uma a convite da Editora Record, sobre o universo árabe-judaico, ao lado de nomes como Moacyr Scliar e Alberto Mussa, e outra pelo selo Demônio Negro, quando dividirá o projeto com quatro jovens autoras contemporâneas - entre elas Ana Rüsche e Andrea Del Fuego - na coletânea “Urbanas”.

Para conhecer mais a autora: www.marciabechara.blogspot.com

Para conhecer mais sobre o livro: www.metodosextremosdesobrevivencia.wordpress.com

Apresentação/orelha escrita por Ivan Marques, Professor de Literatura Brasileira da USP.

Ilustração de capa da russa Marina Bychkova, radicada no Canadá, artista que costuma ilustrar algumas das publicações mais badaladas do mundo, como a recente Vogue alemã.

As ilustrações inéditas são da multiartista Tulipa Ruiz.

Assessor de imprensa: Nicolau Kietzmann – 11-30703336/8273-6669 – nicolau.press@gmail.com

quinta-feira, 21 de maio de 2009

C.A.I - MAL


Crédito: Davi Tavares

O C.A.I-MAL (Centro de Ação In-formal), evento multimídia, organizado pelo coletivo Poesia Maloqueirista realiza sua 14ª edição, no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, no dia 28 de maio, com saraus, performances, instalações, projeções e shows. A banda Experimento Prosótypo (projeto do coletivo), que mistura música e poesia recitada, terá gravação de CD-DVD ao vivo, para se preparar pra viajar à FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), onde fará apresentações na programação alternativa. Mais informações sobre o evento, acompanhe o blog: www.poesiamaloqueirista.blogspot.com

Data: 28/05
Horário: 19h
Quanto: R$10
Onde: Centro Cultural Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 - Vila Madalena, São Paulo-SP
Fone: 11-3459.5321
Para acompanhar: www.poesiamaloqueirista.blogspot.com

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Centro de Ação In-formal

O Centro de Ação In-formal (C.A.I-MAL), organizado pelo Coletivo Poesia Maloqueirista, nasceu em setembro de 2005 , tendo como proposta a interação de variadas vertentes artísticas (música, projeções, performances, artes visuais e instalações), a poesia é principal base de linguagem, possibilitando interações a partir da ocupação de diversos ambientes em um mesmo espaço, ora conduzindo o público para as manifestações ou deixando-o livre para explorar as possibilidades por si só.

O evento tem influência da cultura mambembe, por ser itinerante, com referências de arte urbana e tecnológica. Já foi realizado em espaços como Bar Praça Madalena, Instituto Jovem, Casa das Rosas, IDCH, Biblioteca Alceu Amoroso Lima, Beco do Aprendiz, Pq.da Ruínas (RJ) e Espaço Zé Presidente.

Já participaram Glauco Mattoso, Marcelino Freire, Celso de Alencar, Zinho Trindade, Pedro Paulo Rocha, Léo de Abreu, Ana Rüsche, Encantadeiras, Atelier Aberto, Celso Borges, Ademir Assunção, poetas da Cooperifa, Sarau do Binho, Elo da Corrrente, Byra Dorneles, Dinho Nascimento entre outros. Em sua última edição realizada (13ª), o evento completou três anos de existência com a mesma proposta de reunir atividades variadas, em clima de celebração.

E o lema é sempre: Diversão garantida ou sua televisão de volta!
www.poesiamaloqueirista.blogspot.com

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Nicolau Kietzmann

Assessor de Imprensa

11-8273-6669

11-3070-3336

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C.O.M.P.R.O / C.A.I-MAL
Cazo Omiço pela Rephorma Ortografyka
Centro de Ação in-formal
Espaço de proposição do caos cultural

- praça eh nóis (coreto)

Pedro Osmar apresenta canções e poemas autorais conduzindo palco aberto à manifestações poéticas e sonoras.

- falatório literário (circo)

Fernanda Coimbra
Daniel Minchoni
Pedro Lucas
Roberta Estrela D'alva
Tula Pilar

- freqüências Sonoras (estúdio)

Cangarussu (cultura popular)
Experimento Prosótypo (Intervenção Visual: Leila Monsegur)
Os Mameluco (Abertura: Aline Reis)
Seletor lucas corpo___santo! (ska & rocksteady da jamaica + incógnitas do brasil)

- projeções com trilha ao vivo (sala 1)

Sinema {cinema sinestésico}
com opontodeinterrogação? e convidados

tubo de ensaio (performances)

Sangue, suor e algumas lágrimas (Juliana Barros)
Freak Out - a palavra elétrica (Byra Dorneles)
Corpo em Rito

- instala_ações

Vozes da Mata (Aline Binns)
BERTON & SNAUT

Data: 28/05
A partir das 19h – contribuição voluntária!
Após as 22h - R$10,00

Centro Cultural Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 - Vila Madalena, São Paulo-SP

Diversão garantida ou sua televisão de volta!

Realização:
Poesia Maloqueirista / Centro Cultural Rio Verde
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poesiamaloqueirista@gmail.com

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vernissage das Telas Mangá Sea House


Comidinhas japas... mini guioza, harumaki de queijo e canapés de pasta de salmão e caipirinhas - Aberto ao público.

O Sea House que completa 20 anos em julho lança um cardápio inspirado na magia do Outono Japonês no dia 9 de maio de 2009 às 19h na sua unidade da Alameda Lorena, 1267, Jardins, junto com a vernissage dos artistas Alex Oliveira da Silva e Wagner Portela Silva que irão expor telas feitas com a técnica de aerografia com temas de mangá.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sea House – Novo Cardápio e Vernissage de Telas Mangá



Sea House – Novo Cardápio e Vernissage de Telas Mangá

O restaurante Sea House de gastronomia japonesa que completa 20 anos em julho lança um cardápio inspirado na magia do Outono Japonês no dia 9 de maio de 2009 às 19h na sua unidade da Alameda Lorena, 1267, Jardins, junto com a vernissage dos artistas Alex e Vagner que irão expor telas feitas com a técnica de aerocolor com temas de mangá.

O novo cardápio vem para agregar as opções tradicionais da casa, que não serão alteradas. O proprietário e fundador do restaurante Hugo Kawauchi decidiu trazer para os freqüentadores uma nova opção gastronômica inspirada no Outono japonês, um momento de renovação e de farta produção de alimentos depois de um Verão úmido e frio. O cardápio se chama Momiji, inspirado em uma árvore que troca de folhas durante o Outono no Japão.

“O Sea House é um restaurante tradicional japonês, em que valorizamos acima de tudo a qualidade do serviço e dos ingredientes que são usados, que até hoje eu seleciono os pescados. O cardápio Momiji é para os apreciadores da culinária japonesa. Conseguimos, depois de um estudo de sabores, mesclar o antigo com o moderno e o resultado foi um delicado e especial presente para nossos clientes que poderão degustar desde um ceviche de tilápia, King Crab ou o tradicional Udon com mexilhões e pimenta japonesa” afirma Hugo.

Histórico:

Ao contrário do que acontece em 2009, há 20 anos, quase não existiam restaurantes japoneses fora do bairro da Liberdade. Poucos eram aqueles que arriscavam sair do bairro tradicional da cultura japonesa, que apresentava uma culinária considerada exótica para a maioria das pessoas.

Apesar desse ambiente pouco favorável e inexplorado, surge o Sea House no bairro Jardins. Confiantes na qualidade da gastronomia japonesa e nas tradições que acompanhara seus pais desde a chegada ao Brasil, o casal Kika e Hugo Kawauchi são os responsáveis pelo novo restaurante.

O Sea House era originalmente uma peixaria, mas em 1989 foi re-inaugurado como restaurante japonês, fruto de um sonho antigo da Batian Kawauchi (batian – avó em japonês) mãe do proprietário. O Sea House original era um misto de peixaria, mercearia de produtos orientais e restaurante japonês, porém com o passar do tempo as atividades foram fragmentadas e apenas a culinária se manteve no endereço da Alameda Lorena.

“Agora, o desafio é talvez maior que o inicial, não é mais apresentar a culinária japonesa, mas sim confirmá-la, adaptá-la e reorientá-la ao padrão brasileiro. E é com esse desafio em mente que o Sea House comemora o seu vigésimo aniversário.” Afirma Carolina Kawauchi, gerente da unidade Jardins.





Momiji – Cardápio Outono 2009

Entradas

Harumaki Spicy Tuna (seis unidades)– Rolinho primavera recheado com atum batido com cebolinha e molho de pimenta
R$ 13,90

Ceviche Oriental – Fatias de tilápia marinadas no suco de limão, shoyu, gengibre, cebola e gergelim.
R$ 18,00

Pratos Principais

Combinado Momiji (serve duas pessoas)– Combinado de sushi e sashimi variados.
R$ 74,40

King Crab (Centolla) - serve até três pessoas – Caranguejo gigante ao vapor, acompanhado de três molhos.
R$ 145,00 kg

Aki Udon – Udon feito com pimenta japonesa, negui (cebolinha) e mexilhões.
R$ 19,80

Drinks

Ume-shû – Licor de ameixa japonesa
R$ 8,00

Caipirinha de Sho-chu de carambola com pimenta rosa
R$ 15,00

Sobremesa

Sorvete de Chá Verde com ágar-ágar, gengibre caramelado e cobertura de chocolate.
R$ 11,00

Curiosidades:

A Centolla - são duas variedades e em comum o peso de até dois quilos e o tamanho, que podem chegar a mais de um metro de uma ponta a outra das patas. Chamados de Centodjas, na pronúncia argentina, ou Centolhas, como preferem dizer os chilenos, pertencem a uma categoria de crustá­ceos valorizada pela gastronomia mundial, com um sabor normalmente definido como um meio-termo entre o do caranguejo comum e o da nobre lagosta.
Ume-shû - licor de Umê, uma espécie de ameixa japonesa considerada a fruta da longevidade.

Shochu - destilado a partir de vários ingredientes — desde os mais comuns como a batata-doce, cevada, arroz, açúcar mascavo, até os mais exóticos como leite, abóbora e castanhas. No Brasil, o shochu ficou popularmente conhecido como a “cachaça japonesa”. O teor alcoólico desse destilado pode variar de 15% a 45%, sendo que os mais tradicionais se mantêm no nível de 25%.



Exposição Mangá

O Sea House traz para o mês de maio, a exposição de telas: “Sushi & Arte Mangá”, produzidas pela equipe Akemi Aerocolor em técnicas de aerocolor. A parceria com a Akemi já é antiga, a unidade dos Jardins teve o seu piso superior decorado pela dupla.

O restaurante estava à procura de algo inovador para apresentar em virtude da comemoração do seu vigésimo aniversário. A arte mangá veio de encontro ao que perfil desejado. É mais uma contribuição adicional da cultura japonesa ao cotidiano brasileiro, que mantém vivo o intercâmbio cultural entre os dois países.

A Akemi Aerocolor é formada por artistas que possuem 15 anos de experiência com a técnica aerocolor. Fizeram inúmeros trabalhos que estão espalhados pela cidade: fachadas externas, muros, quadros, decoração de interiores, hoje prestam serviço para oito arquitetos.

Os artistas resolveram focar os seus novos trabalhos na junção entre a arte mangá e o aerocolor, por isso escolheram o Sea House para iniciar essa nova fase da equipe. Além da ligação com a cultura japonesa, o Sea House foi escolhido como palco para essa exposição, sendo um dos primeiros trabalhos de arte mangá produzidos por eles.

Vernissage no dia 09/05, à partir das 19hs, haverá um cocktail de abertura da exposição de telas Sushi & Arte Mangá. A exposição ficará aberta até o dia 20/06.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Lançamento de RESSURGÊNCIA ICAMIABA - lendas e índio



O livro RESSURGÊNCIA ICAMIABA do selo Demônio Negro será lançado dia 19 de Abril de 2009, às 19hs na Casa das Rosas, Av. Paulista 37. O lançamento antecede I Sarau das Poéticas Indígenas é reunir índios, escritores indígenas e de outras origens com a curadoria da jovem autora Deborah Goldemberg como conta:
“Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena.”

Sobre o Livro:

Baseada em lendas amazônicas, a jovem escritora DEBORAH GOLDEMBERG discorre nesta novela sobre os desafios da manutenção do amor em meio às contradições das relações de gênero, tema ainda tão atual, em um contexto com paisagens típicas do norte do País.
A Nação Icamiaba, de mulheres que imergiram nas águas e se transformaram nas sereias do rio Tocantins, decidiu viver distante dos homens e dos riscos do amor. Para essas mulheres, as profundezas do rio garantem paz e tranqüilidade e elas só voltam para a superfície para se acasalar e, após o ato sexual, afogam os ribeirinhos e deixam seus corpos à deriva. É um cenário de feminismo exacerbado, ao mesmo tempo idílico e opressivo
Até que a jovem Kianda se apaixona pelo negro Oxum, que está em busca da sua terra prometida, onde outros escravos fugitivos formaram uma comunidade quilombola. Kianda decide deixar seu lar e suas irmãs para se arriscar em um romance terreno, o que a constitui como “fiandeira de uma nova condição feminina, tecendo um novo paradigma sobre o amor”, como diz Janirza Cavalcani em seu prefácio antropológico-literário. Por esta transgressão, Kianda perde sua cauda e a chance de retornar à Nação Icamiaba. Além disso, terá de passar pela prova de sua mais bela irmã tentar seduzir seu amado. O leitor se confronta com final ainda mais inusitado do que as histórias contidas nas páginas de RESSURGÊNCIA ICAMIABA.
O livro desenrola sobre assuntos universais de forma simples e incorpora linguagem típica da região norte do país. Com prefácio literário de Douglas Diegues, que retomou o multilinguismo no Século XXI com o seu portuñol selvagem, o misto de português, espanhol e guarani falado nas fronteiras do país, Deborah caminha para uma literatura multiétnica e transbrasileira. Nas palavras de Douglas,
RESSURGÊNCIA ICAMIABA é uma “Noubellita afrodisíaca transbrasilera, hay que leerla sem pressa, sem ir enfiando el dedo, leerla como quem muere feliz em los lábios duma yiyi de la rebolucione labial ikamiaba.”

Sobre a autora

Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia pela London School of Economics. Atuou na área de desenvolvimento sustentável durante anos, tendo trabalhado na ONU e Banco Mundial, mas desde 2008 dedica-se à literatura. Ressurgência Icamiaba é seu primeiro livro, apesar de já ter diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em coletâneas. É atuante no movimento literário paulistano e curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Na blogosfera, mantém o blog literário ressurgenciaicamiaba.blogspot.com e é colaboradora do projeto mundial de blogueiros Global Voices.

RESSURGÊNCIA ICAMIABA
Deborah Goldemberg
Selo Demônio Negro, 2009
ISBN 978-859039348-1
R$25,00 72 págs.
Xilogravura: Nireuda Longobardi
Demônio Negro: vanderleymeister@gmail.com

Assessor de imprensa:

Nicolau Kietzmann

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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Curso de Sushi - Sea House

Sábado tive a oportunidade de descobrir um pouco da arte do Sushi com mestre da culinária japonesa Hugo Kawauchi, que está a frente do restaurante Sea House a nada menos do que 20 anos.
Como brinca o Sr. Hugo: "No curso você aprende ser um "enrolador", mas só fica bom mesmo depois de 2 anos." Eu, como muitas pessoas que acham que sushi é uma "forma simples da cozinha típica", descobri que estava enganado.
Na verdade é cheia de macetes e histórias. Depois do curso, não entro em rodízio antes de pensar muito bem em vez de pedir um combinado, que valoriza a arte e qualidade.

Curiosidades:

O restaurante Sea House só fecha 2 vezes por anos, dia 1 e dia 25, dale povo trabalhador!

O restaurante nasceu junto com uma peixaria, que hoje distribui para vários restaurantes de grife, ou seja, quem decidir entrar, vai comer peixe de primeira.

O preço para um jantar básico é o mesmo que muitos rodízios populares. Com 30 pilas é possível comer e curtir uma culinária de muita qualidade, feita na hora e com o sushiman na sua frente e sair “sastisfeitissimo” com a pança cheia e a boca tocada com o sabor do bão e do melhor.

Aqui se faz, aqui se come!!!

Sr. Hugo Kawauchi ministrando o curso de enrolador...hehe

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mar Grande - Aos prazeres de Eolo



"Eu acho que nós somos isso às vezes, mas nós somos também um amor de maturidade e de projeto de vida...nosso ritmo é prosa e não poesia, mas eis que isso é bom, porque a poesia é a marola do mar e nós somos o mar...gigante, constante e para sempre."
Deborah Goldemberg

Todo Amor que Houver Nessa Vida



Todo Amor que Houver Nessa Vida
CazuzaComposição: Frejat/ Cazuza

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Homem é o produto do meio

É... o homem é produto do meio ou é o meio do produto???
Como viver um sem viver o outro?
Homo blogger ou....
Homo libertus!!!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Apenas Acabou

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Apenas Acabou

Nk


A vida traz a paciência morna, a rotina e a loucura daqueles que fazem de si mesmo uma rocha antiga, cheia de musgos e com cheiro de mofo.
Sérgio estava se tornando uma destas coisas pesadas, sem sonhos e sem vida. Arrastava um relacionamento que qualquer um não desejaria nem para seu pior inimigo, lógico que existiam coisas boas, mas a ruins prevaleciam.
Após três anos com muitas felicidades e tristezas, não teve outra se não a separação. Não uma destas convencionais, bem caretas em que o casal briga e se pega, disputa as mesquinharias. Essa parte é a que ele acha a mais interessante nas pessoas: “Esse porta retrato foi comprado para o nosso casamento pelo Luizinho, sim você sabe quem é ele, é o primo de quinto grau da minha tia-avó Constance”, depois tira a foto de quando ainda eram felizes, rasga em pedacinhos e joga para o alto, como confete em baile de carnaval.
O de Sérgio foi muito bacana, depois de uma centena de brigas, inclusive daquela violentas, foi decidido que o amor era tão grande que deveríam tentar, sabendo que estavam juntos pelo hábito, no modelo em que seu parceiro acaba virando seu único amigo e pode ser a pior companhia, mas já não se saber viver sem.
O rapaz mudou de casa, assim não teria que conviver com toda a rotina e as pequenas coisas que irritam no dia-a-dia. Foi parar numa destas pensões arrumadinhas de estudantes classe média.
No começo estranhou, já que estava acostumado a viver em apartamentos grandes e com direito a todas as regalias.
Mas era limpa e barata, já que nunca vem uma desgraça só na vida, também tinha acabado de perder o trabalho, caiu de moto e estava deprimido tomando um monte de remédios para acreditar que isso o tiraria do buraco.
Para o seu total desencanto ou para obviedade de todos que os cercavam, não deu certo. Sérgio e Rebeca se encontravam nos fins de semana, mas as brigas continuavam. O pior para ele era a falta de sexo, já não faziam há muitos meses e as boas trepadas, aquela que faz com que se esqueça qualquer gritaria ou aquele vexame de bebedeira, se tornaram uma vaga lembrança.
E não era pouco tempo, esses meses poderiam ser juntados em ano, para ficar em unidade menor. A amizade prevalecia e sempre riam muito juntos, isso é verdade. Também eram muito bem quistos pelos amigos e por conhecidos, “nossa vocês estão até parecendo fisicamente um com o outro”.
Depois de praticamente seis meses se vendo poucos dias as coisas continuavam as mesmas. As ranhetices continuavam, mas a coisa se tornava mais grave. Os encontros eram como uma mulher que apanha. Espera o marido chegar em casa e fica ansiosa para que a surra seja o mais rápido possível, assim pode voltar para os afazeres de casa e esperar o dia seguinte.
Mas a coisa acabou em uma conversa amigável por telefone, sem o mesmo gosto do começo.
Apenas acabou.