quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Água, Questão de Governança

Água, Questão de Governança
Org. Pedro Roberto Jacobi e Paulo de Almeida Sinisgalli
Apoio: Projeto Alfa da Comunidade Européia

Durante o século XX, a utilização da água cresceu seis vezes, duas vezes mais do que a taxa de crescimento populacional, e a capacidade e habilidade para lidar com o contínuo crescimento da demanda global dependerá de forma crescente de governança e gestão dos recursos disponíveis.

“Um dos maiores desafios é o de garantir aos cidadãos acesso às informações básicas sobre a qualidade e a quantidade da água. Sem isso, limita-se seriamente a chance de eles intervirem em projetos de água ambientalmente prejudiciais ou chamarem à responsabilidade as agências governamentais responsáveis pela gestão”, defende Pedro Roberto Jacobi, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam-USP) e coordenador do Projeto Alfa da Comunidade Européia sobre Governança da Água na América Latina.

Para ele, a governança adequada é um processo complexo, afetado pelas especificidades na gestão de cada sociedade, seus costumes, tradições, cultura institucional, práticas políticas e capacidade de inovação na gestão de conflitos. Sob essa ótica, a Annablume Editora lança quatro livros organizados por Jacobi e por Paulo Sinisgalli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each/USP.

Desses, três abordam aspectos associados a políticas públicas, dimensões político-institucionais, o papel dos atores sociais face aos conflitos e questões de territorialidade na América Latina e na Europa – como parte dos resultados do projeto GovAgua, que reúne 10 instituições universitárias dos dois continentes em atividades de cooperação. O quarto livro, Atores e Processos na Governança da água no Estado de São Paulo, organizado por Jacobi, focaliza a bacia do Alto Tietê e do Piracicaba.

Organização:

Pedro Roberto Jacobi e Paulo de Almeida Sinisgalli
Apoio: Projeto Alfa da Comunidade Européia

Lançamento:
Livraria Martins Fontes
08 de dezembro de 2009, terça-feira, das 18:30 hs às 21:30hs
Av. Paulista, nº 509 - São Paulo - SP
(próximo à Estação Brigadeiro do Metrô)
(11) 2167.9900

Sobre os organizadores:

Pedro Roberto Jacobi

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1973), Graduação em Economia pela Universidade de São Paulo (1972), Mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Graduate School of Design - Harvard University (1976), Doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1986).

Livre Docente em Educação -USP. Professor Titular da Universidade de São Paulo, Co-editor da revista Ambiente e Sociedade desde 1997. Membro do conselho editor das revistas Environment and urbanization (0956-2478), EURE (Santiago) (0250-7161) e O&S. Organizações & Sociedade.

Tem experiência na área de Políticas Públicas Ambientais, Politicas Sociais, Gestão Ambiental, Movimentos Sociais e Participação, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento sustentável, gestão compartilhada de recursos hídricos, Participação social e gestão de resíduos sólidos, Educação ambiental e participação da sociedade civil na gestão ambiental.

Coordenador do TEIA-USP Laboratório de Educação E Ambiente. Representa a USP no Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê onde exerce a relatoria da Cãmara Técnica de Planejamento e Gestão. Coordenador Acadêmico do Projeto Bacias Irmãs sobre Construção de Capacidade da Sociedade civil para a Gestão de Bacias Hidrográficas entre 2003-2008.

Coordenador de Projeto Alfa da Comunidade Européia sobre Governança da Água na América Latina e Europa que conta com a participação de dez instituições universitárias da America Latina e Europa. Coordenador de projeto Fapesp de Políticas públicas sobre Aprendizagem Social em Bacias Hidrográficas na RMSP

Paulo de Almeida Sinisgalli

Graduado em Engenharia Civil e Sanitária pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1984), mestrado em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (2005).
Pós-graduação em Environmental Management pela Universidade Técnica de Dresden - Alemanha (1989/1990) e foi Visiting Student na Universidade de Kent at Cantembury na Inglaterra (1999/2000).

Atualmente, é suplente de coordenação do Curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Ecológica, atuando principalmente nos seguintes temas: economia ecológica, gestão de recursos hídricos, metodologia de avaliação, análise sócio-econômica-ambiental, engenharia ecológica e estudo energético.

Nicolau Kietzmann
Assessoria de imprensa
nicolau@annablume.com.br
www.annablume.com.br
11-8273-6669
11-3070-3336
skype:nkp161

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Trans Posição Francisco


Trans Posição Francisco

O livro é o resultado da viagem de cinco artistas que singraram o rio São Francisco em busca de interações entre si, com a paisagem e com os povos ribeirinhos. Imagens, relatos e opiniões forma o relato do processo criativo da equipe, que percorreu o São Francisco de Januária/MG até Piaçabuçu/AL, onde o rio e mar se fundem.

Eles instalaram um ateliê num barco e desenvolveram trabalhos ligados à temática do rio e sua transposição. Os artistas envolvidos na Expedição Francisco foram Nabor Kisser, Márcia Vaitsman, Julio Meiron e Deyson Gilbert, Luísa Nóbrega Evandro Carlos Nicolau e Luiz Mizukami.

Cartas escritas pelo frei Gilvander Moreira, e as reflexões do jornalista Fernando Valença, do radialista Vitório Rodrigues e do engenheiro Otávio Carvalho sobre os impactos da transposição para as pessoas que vivem o e do rio, serviram de inspiração para os artistas produzirem suas obras e performances. O debate foi acompanhado pela ONG Ato Cidadão, através de José Vieira Camelo Filho, o Zuza.

Umas das performances que mais chamou a atenção foi a da artista Luísa Nóbrega, que fez todo o percurso de olhos vendados. Ela acabou a viagem com uma inflamação oftalmológica, por passar tanto tempo vendada. Para o proponente do projeto Julio Meiron, a expedição teve um efeito modificador para todos:

“Todos nós tivemos muita afinidade, cada autor escreveu sua parte, mas para todo mundo a idéia inicial era discutir a transposição do São Francisco, as obras de transposição e como isso está afetando a população. Isso refletiu no trabalho, na experiência do rio em si e nas comunidades, que estão em grande parte em transformação e o contato com essa realidade econômica”
Ele completa sobre o livro:

“Não tínhamos uma idéia do livro antes. Foi ao longo da expedição e depois dela que nasceu o livro. Queríamos interagir, trocar material e isso poderia se tornar uma exposição, material individual, uma mídia, mas acabou amadurecendo e se tornou a publicação coletiva”.

O projeto teve patrocínio da Funarte – Artes Visuais e da Prince Claus Funds for Cultura and Development.
Lançamento do livro Trans Posição Francisco será no dia 27 de novembro, sexta-feira, 19:30 horas, no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, ao lado do metrô Vergueiro, http://www.centrocultural.sp.gov.br/).

19h30 – Recepção dos convidados
20h00 – Mesa de debate com os autores/artistas
20h30 – Coquetel com mesa de autógrafos e exibição do vídeo
22h00 – Encerramento

Dados Técnicos:
Formato 23x18cm
137 páginas
Valor: R$ 35,00

Contatos:
Julio Meiron: juliomeiron@gmail.com
Marcia Vaitsman: marciavaitsman@gmail.com

Assessoria de imprensa
Nicolau Kietzmann
nicolau@annablume.com.br
11-8273-6669
11-3070-3336
skype:nkp161
www.annablume.com.br

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fotos (alta e baixa resolução) da equipe SisLab

Salves as fotos em baixa ou clique nas escolhidas para salvar em alta resolução.
Créditos: Divulgação
Nicolau Kietzmann
Assessoria de imprensa
11-8273-666911-3070-3336skype:nkp161
Lidiane Oliveira - Diretora LabSocial



Leila Bonfim - Diretora LabSocial





Lidiane Oliveira e Leila Bonfim - Diretoras LabSocial

Equipe LabSocial desenvolvendo projetos no Sislab.



Lab Social e a plataforma tecnológica Sislab

Lab Social e a plataforma tecnológica Sislab:
monitoramento e avaliação de programas e projetos sociais: Equilíbrio entre aprendizagem, resultados e custo

Formada há 15 anos, a Lab Social inicia-se como uma empresa voltada para formação e consultorias em desenvolvimento de equipes e na área de serviços sociais. Composta por técnicos especializados que buscam o equilíbrio nas necessidades geradas no ambiente social e empresarial de prestação de serviços. Com o passar dos anos, ela estende sua atuação para empresas privadas com estratégias de Responsabilidade Social tem com meta suprir as necessidades específicas das Secretarias de Governo, ONGs, Fundações, Institutos e Agências de Cooperação Internacional. A empresa reúne profissionais de vários campos do conhecimento e competências profissionais diversas que se articulam em equipes, na execução de serviços de planejamento, avaliação social e também na formação de técnicos e agentes sociais.

Constituída por uma equipe multidisciplinar de profissionais, a Lab Social tem o intuito principal de promover condições para construção e apropriação de conhecimentos em programas sociais de grande escala. Isto demanda capacidade de interatividade entre todos os agentes envolvidos visando superar a contradição existente entre viver numa época na qual a capacidade tecnológica de coletar, tratar e fluir informações, em todos os pontos do planeta, é tão alta, e utilizar procedimentos de pesquisa avaliativa centralizados, pontuais, no tempo e no espaço, em um ambiente social que se torna, a cada dia, extremamente complexo.

Em 2006, as sócias da Lab Social, Leila Bomfim e Lidiane Oliveira, reconhecem a necessidade de convergir a Metodologia de Avaliação de Programas e Projetos, já consolidada pela empresa, com a construção de uma plataforma tecnológica que viabiliza interações entre grupos e organizações envolvidos em planejamento, realização, gestão e investimentos de programas e projetos sociais.

Este grupo acredita que o planejamento e avaliação que, ao mesmo tempo, fosse um banco de dados com indicadores construídos individualmente para cada projeto ou programa social e que fosse capaz de apoiar coletas e tratamentos dando-lhes a devida visibilidade e acessibilidade a fim de democratizar a construção do conhecimento gerado em pesquisas avaliativas.

Desde então, a Lab Social vêm investigando softwares para apoio na interatividade entre os agentes e a empresa passa a usar o sistema de banco de dados como ferramenta essencial de trabalho, idealizando um sistema eletrônico de monitoramento, pesquisas avaliativas e ferramenta de conhecimento dos agentes envolvidos nos projetos. Nasce então, a Sislab, uma plataforma tecnológica em parceria com a Sayans Corp e apoio do arquiteto de informações, Alexandre Gomes Barbosa, com o aporte de novas tecnologias.

O sistema da plataforma tecnológica do Sislab é baseado no conceito da WEB 2.0, o que torna viável a construção de conteúdo participativo e cria condições de acessibilidade em qualquer ponto do planeta, além de elevar a relação custo-benefício de pesquisas avaliativas. A principal finalidade do sistema online é a democratização do acesso, construção e uso das informações produzidas em processos de monitoramento e avaliação. Os proveitos das organizações utilizando-se destes meios, vão depender da capacidade a ser desenvolvida de tornar as informações produzidas em matéria prima para refletir sobre o que fazem, planejar e melhorar suas intervenções sociais.

O período de implementação do SisLab é dependente do ciclo do projeto ou programa social. Entretanto, a obtenção dos primeiros resultados possui um prazo curto de, no mínimo, 3 meses para construção de banco de dados, gestão de um concurso e 12 meses, para a avaliação de processos.

O SisLab é um meio prático para coletar, tratar e disponibilizar dados, transformados em informações de resultados de processos e resultados finais das ações sociais. Pode ser utilizado como ferramenta de monitoramento e avaliação em redes de organizações sociais e acoplar serviços pontuais, como gestão de concursos de projetos e gestão financeira das instituições que organizam seu trabalho em programas e projetos. A possibilidade do monitoramento e avaliação em rede, que o SisLab atribuí aos agentes envolvidos, torna possível a conectividade e interação entre diferentes instancias de uma organização – gestores, assessores técnicos, executores, beneficiários - e das organizações engajadas no programa ou projeto.
Para conhecer mais: www.labsocial.com.br

Nicolau Kietzmann
Assessoria de imprensa
nicolau@dgnk.com.br
11-8273-6669
11-3070-3336
skype:nkp161

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lançamento Fervo da Terra

Lançamento do livro Fervo da Terra da minha autora predileta e querida companheira de vida: Deborah Goldemberg. Em São Paulo, Porto Alegre e Mato Grosso.
www.fervodaterra.blogspot.com/

Pedra de Sol em Edição Bilíngue - Selo Demônio Negro

Crédito: Renata Forato


Pedra de Sol em Edição Bilíngue - Selo Demônio Negro
(Release e entrevista)

Pedra de Sol, do poeta mexicano Octavio Paz, laureado com o prêmio Nobel de Literatura em 1990, ganha uma tradução revisada em edição bilíngue após 20 anos. O tradutor e poeta Horácio Costa fez a primeira edição de Pedra de Sol em 1988, e é um dos mentores do projeto de divulgação da poesia paziana, na qual se aprofundou durante o período em que lecionou na UNAM, Universidade Nacional Autônoma do México.
Durante boa parte do ano de 1957, Octavio Paz se dedicou a mesclar história, cultura Maia e Náhuatl e simbologia durante a escrita de Piedra de Sol, poema que se tornaria um texto-chave de sua produção poética e é publicado original e na íntegra nesta edição bilíngüe do selo Demônio Negro da editora Annablume. A gigantesca Piedra de Sol, um importante monolito-calendário da civilização Asteca, foi idealizado com a função de organizar, num continuum mensurável pelo homem, o dever temporal. Por isso, é o objeto que empresta nome a este poema que pressupõe repetição cíclica, numa dinâmica sugerindo eterna continuidade, umas das grandes características do poema de Octavio Paz.
A versão em língua portuguesa procurou manter a intensidade da obra original, apesar de ter sofrido algumas transformações pontuais, subordinadas a aspectos importantes para o poeta Horácio Costa, principalmente a preservação da entonação e do ritmo, valores de respiração e dicção que via como marcas distintivas no texto de Octavio Paz.

Sobre o autor:

Horácio Costa (São Paulo-SP, 14/12/54). Formado em Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP, 1978); Mestre em Letras (New York University, 1983), PhD em Yale (1994). Professor na UNAM (México), 1987-2001. Desde então, é professor da FFLCH-USP. Publicou 28 poemas 6 contos (São Paulo, 1981); Satori (São Paulo, 89), O livro dos Fracta (México e São Paulo, 90), The very short stories (São Paulo, 91; México, 95), O menino e o travesseiro (São Paulo, 93; re-edição 03; México, 98); Los jardines y los poetas (Caracas, 94), Quadragésimo (México, 96 e São Paulo, 99) e Fracta — antologia poética (São Paulo, 04 e México, 09), Paulistanas & Homoerótias (São Paulo, 07 e Ravenalas (São Paulo, 08). Livro de poesia por publicar-se: Ciclópico Olho. Traduziu e publicou Octavio Paz (Piedra de Sol/Pedra de Sol, Rio, 88 e São Paulo 09), Elizabeth Bishop (Antologia Poética, São Paulo, 90), César Vallejo (Poemas Humanos; México, Rio e Lisboa, 92), Xavier Villaurrutia (Nocturnos; Lisboa, 94), José Gorostiza (Morte Sem Fim e Outros Poemas; São Paulo, 03); por publicarem-se Xavier Villaurrutia (Poesia Completa) e Blanca Varela (Canto Vilão). Organizou três eventos internacionais de poesia: "A palavra poética na América Latina, avaliação de uma geração" (São Paulo, Memorial da América Latina, 90; publicada em livro) e "O veículo da poesia" (São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, 98) e Mar Aberto – poesia em português e nas línguas da Espanaha: um diálogo histórico, uma futura aliança? (São Paulo, Centro Cultural da Espanha/Instituto Cervantes/Casa das Rosas, 07). Outros livros: José Saramago: o período formativo (Lisboa, 97 e México, 03) e Mar abierto: ensayos sobre literatura brasileña, portuguesa e hispanoamericana (México, 01;por publicar-se: São Paulo, 2010). Foi júri de vários certames literários na Venezuela, no México e no Brasil. Tem mais de 60 artigos publicados em livros e revistas internacionais. É assessor da Fapesp e da Capes. Tem poemas ou livros traduzidos ao espanhol, inglês, francês, romeno, macedônio e búlgaro. Foi presidente da ABEH — Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (06-08) e atualmente coordena o “Programa da Estudos da Diversidade (Homo) Sexual-PEDHS” da USP.

ENTREVISTA

Caros colegas,
segue a entrevista desenvolvida com Horácio Costa: Caso não possam publicar na integra, peço cuidado para que o sentido das perguntas e respostas não sejam modificados caso inseridos em outros textos.
Grato,
Nicolau Kietzmann

Um pouco sobre Pedra de Sol de Otacvio Paz e o tradutor e poeta Horácio Costa

A sua formação acadêmica o auxiliou de que forma no ofício de poeta ou a de poeta na academia?


Sou arquiteto de formação e escrevo poesia desde antes de entrar na FAU-USP. A um dado momento, nos anos 70, quis saber mais de literatura, não apenas de poesia: quis saber mais sobre o fenômeno literário, digamos assim. Comecei a freqüentar cursos na Letras e logo tentei matricular-me na pós em Letras, cheguei a fazer alguns cursos de pós como ouvinte. Mas a USP àquela época não permitia tais saltos. O jeito foi pedir uma bolsa para os Estados Unidos, para a New York University, onde fiz o mestrado e depois de um intervalo no México, onde aconteceu a mesma coisa do que na USP -isto é, não fui aceito para o doutoramento em Letras por ser originalmente arquiteto- a Yale, onde fiz o PhD. Nas duas universidades nas quais fiz carreira acadêmica, na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e na USP, primeiro não fui aceito como aluno e logo ganhei concurso como professor de Letras. Isso diz algo, não?

Sua atração pela obra do mexicano Octavio Paz surgiu durante sua atuação como professor da UNAM entre 1987 e 2001?

Vivi no México por dois períodos (1983-4, entre o M.A. e o PhD.; e 1987-1997). Desde o primeiro, entrei em contato com o Octavio Paz, quem a princípio foi muito generoso comigo. Senti a barra da situação de excepcionalidade na qual ele vivia no México de então, e fui um dos primeiros a escrever sobre a sua maravilhosa biografia de Sóror Juana Inés de la Cruz (1642-1690). Já tinha estudado a sua poesia em Nova Iorque, e escrito um ensaio, justamente, sobre Pedra de Sol (em 1982, num curso do saudoso John Alexander Coleman). Me fascinou como um poeta podia ter tamanha ressonância e uma voz tão poderosa em seu país, e como a sua produção poética era ao mesmo tempo ambiciosa e cosmopolita e tão próxima a temas de sua cultura de origem.

Qual é a importância da obra de Octavio Paz em sua trajetória de poeta? O senhor tem formação em Arquitetura, a valorização da linguagem se deve ao fato de esse poeta mesclar estética ao seu trabalho?

Tinha vinte e oito anos quando comecei a conviver a bem dizer semanalmente com Octavio Paz, em 1983. Pouco depois, houve a homenagem de Estado ao poeta, quando ele cumpriu setenta, no ano seguinte. Foi lá que estreitei os laços com Haroldo de Campos. Éramos os dois poetas de língua portuguesa naquele evento e nos aproximou o grande crítico literário uruguaio Emír Rodríguez Monegal, quem se tornaria o meu orientador em Yale. O cenário mexicano daquela época, sob o predomínio do PRI, era muito interessante para um brasileiro que vinha de uma ditadura militar, como eu. A relevância da cultura naquela sociedade, ainda que um pouco baseada em ideais de princípio do século passado, era a bem dizer oposta ao que eu experimentara em casa, e Octavio Paz estava no meio disso. Entre ele e Haroldo havia a ideologia comum de assentar as bases de uma tradição de vanguarda latino-americana, com as diferenças que os contextos mexicano e brasileiro pressupunham. Naquele momento da minha escritura poética, aprendi muito com Paz, e traduzir Pedra de Sol fez parte desse aprendizado.

Evidentemente, quem estudou arquitetura está preparado para encarar o fato literário como uma experiência da linguagem para lá dos signos verbais, o que me facilitou sobremodo entender certos vieses barrocos na poética de Paz -e na de Haroldo, e em geral, diga-se de passagem-, que se casam com postulados e concreções da vanguarda. Sou um fascinado pelo barroco, inclusive pela pintura e pela arquitetura barrocas.

A tradução desse poema já havia sido publicada na década de 80. Por que a escolha de relançar uma edição desse poema em 2010? Algo mudou? O quê?

Sim, é uma re-edição da tradução de um poema importante, cuja edição se esgotou há anos. O fato de sair em 2009 e não em 2011 ou 2001 é fortuito. O Vanderley Mendonça, da Annablume/Selo Demônio Negro, publicou o meu livro de poemas Ravenalas, no ano passado, e assim começamos uma relação poeta/editor que tem sido muito boa e é muito rara. Ele me perguntou o que eu queria publicar depois e lhe comentei que o poema longo do Paz estava esgotada há muitos anos. Ora, um poema como esse fica cada vez mais importante com o tempo.

Essa é apenas uma das maravilhas da poesia. Sua legibilidade só faz aumentar. É o que acontece, por exemplo, com os poemas de Gôngora, por séculos esquecidos e logo postos na berlinda. Ou as Leaves of Grass e Whitman. Quer saber o que eram os Estados Unidos pré-imperiais? pois, leia-se Whitman, ponto. E porque ler Pedra de Sol apenas em espanhol se temos uma tradução ao português aprovada pelo próprio poeta, como é o caso desta? Também, creio que muita gente se pergunta sobre os meus poemas longos, que venho publicando desde o princípio de minha escritura poética. Pois eu ajudei a recolocar o poema longo na pauta da poesia brasileira contemporânea, tenho inclusive escrito criticamente sobre o formato “poema longo” nos últimos anos, e tive lá meus modelos. Pedra de Sol é um deles.

Por que Pedra de Sol é um poema tão importante?

Em 1790, a Pedra de Sol, o grande calendário asteca, foi desenterrado no pátio do Palácio Arquiepiscopal, na Cidade do México. O Iluminismo latino-americano tem nessa vinda à luz de um monumento pré-hispânico um de seus momentos mais significativos. Ou seja, a Pedra de Sol, que hoje está exposta no magnífico Museu Nacional de Antropologia, é de fato um ícone mexicano maior. Simboliza muito. Octavio Paz encarou esse fato de frente: escolheu um número de versos (584) que corresponde não ao calendário solar, ocidental, mas àquele que organizava alguns ciclos histórico-míticos antes da chegada dos europeus, e que davam origem aos diferentes “Sóis” (ou eras) do mundo asteca (contagem de tempo circular que foi interrompida, claro, pela chegada da concepção linear do tempo, judaico-cristã), e não se deteve em “atualizar” essa visão temporal -cíclica- com uma espécie de fluxo de consciência muito próprio da modernidade, que se contrapõe, como é sabido, ao dito devir temporal linear; por isso, o poema repete-se infinitamente, e os último quatro versos retomam os primeiros, tudo organizado ao redor da imagem de uma fonte que não para de jorrar, como árvore liquida, uma pletora de significantes.

O selo Demônio Negro faz edições muito especiais com grande valor estético, por que a escolha de uma edição bilíngue?

Por motivos óbvios: há muita gente que fala as línguas nas quais os poemas foram escritos numa comunidade plurilíngüe como São Paulo; não esquecer que o Brasil é um país de imigração, até hoje; ainda, que há um público leitor, universitário ou não, que estuda ou estudou essas línguas. Por outro lado, eu acho que a tradução só ganha com a presença física do original: mesmo porque a tradução em si é uma recriação, e o leitor interessado pode acompanhar pari-passu os riscos, os acertos e os erros do tradutor, o que faz com que a leitura torne-se exponencialmente mais rica.

Durante a tradução do poema como foi manter o ritmo, a simetria e o nível de semântica sem perder a intensidade da obra original? Quais são os maiores desafios de um tradutor de poesia?

A proximidade entre o português e o castelhano facilita e ao mesmo tempo dificulta muito a tradução, especialmente a de poesia. Resolvi transformar em decassílabos os hendecassílabos originais, porque a nossa língua é mais compacta. Mas às vezes, não é: revela-se mais espraiada... Por outro lado, há palavras e construções específicas que se traduzem muito mal. Exemplo: a primeira palavra do poema é “sauce”, i.e., “chorão” ou “salgueiro”, mas a primeira é uma palavra imprópria para abrir um poema com a altura de Pedra de Sol, mesmo porque dá margens a dupla interpretação, e a segunda, é longa demais, quebrava o ritmo... então, optei pela família botânica -“sálix”; todo chorão ou salgueiro é antes de mais nada um sálix; ‘tá bom, é um cultismo, mas não disse que gosto do barroco?

Qual é o tema principal do poema Pedra de Sol? Por que ele pode ser considerado como um “projeto estético-verbal”?

O tema principal é o tempo, não em sua concepção regular: é o devir, que implica, como possibilidade, em repetição. No tempo cabe tudo: amores, história, infância, a Literatura. Ainda: é o não-tempo, ou seja, aquilo que se furta ao tempo na consciência: o momento do gozo, o da perda ou entrega do sujeito no Outro, o “mundo dos pronomes enlaçados”. Sem essa possibilidade, parece dizer o poema, seríamos escravos do tempo, circular ou não. É esse destempo que devemos defender para sermos cada vez mais livres e nós mesmos, frutos do tempo e do acaso.

Quanto ao segundo tópico: parece-me uma “arquitetura verbal”, como um daqueles arcos de triunfo efêmeros que se erigiam no período barroco, e que eram destruídos no dia seguinte, origem, diga-se de passagem, de todo o nosso espírito festivo, carnavalesco. O calendário toma corpo, digamos, no entre-ar, no momento da leitura; escorregamos por ele como a nossa mente e o nosso olhar sobre um mandala oriental, e logo, podemos recomeçá-lo, ou voltar à leitura algum tempo depois. Esteticamente, essa idéia de materialização imaginária (paradoxo, claro) e de retorno circular, previstas conceitualmente pelo próprio poema, faz com que ele possa ser visto como um projeto estético-verbal.

Qual é seu trecho favorito do poema?

São muitos. Ninguém prefere as terças feiras e se recusa a viver, por exemplo, os sábados. Pedra de Sol flui magnificamente bem e, “poema de uma geração” como foi tratado desde o seu aparecimento, há mais de cinqüenta anos, nas letras mexicanas, não cessa de atualizar-se cada vez que é surpreendido pelas gerações mais jovens. É um momento alto das letras hispano-americanas, e o Brasil só tem a ganhar se conhecer melhor os seus vizinhos.

Bate papo: José Roberto (Diretor Annablume) e Cristina Freire - Conceitualismos do Sul

video

Felipe Ehrenberg - Lançamento Conceitualismos do Sul

video

Lançamento Pedra de Sol - São Paulo

Segunda-feira, dia 23/11, na liv. da Vila da alameda Lorena.
Haverá aleitura da obra feita pelo Horácio Costa (tradutor) e Lourdes Guisandera


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lançamento 99 Poemas - Brossa - 09/11/09 São Paulo


99 Poemas - Brossa

Clique na imagem para ver em tamanho original:

Pedra de Sol - Otavio Paz

Clique para ver em tamanho original

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Conceitualismos do Sul/Sur




A publicação traz uma coletânea de textos de estudiosos da arte intercalados com depoimentos de artistas sobre a produção do movimento Conceitualista na América do Sul nas décadas de 60 e 70. O período marcado pelas ditaduras no continente colocou em xeque o papel da arte contemporânea, obrigada a se debater em um contexto social e político extremo. O Conceitualismo veio como resposta e tinha como paradigma contestar a arte como instituição.

Resultante do Seminário “Conceitualismos do Sul/Sur” realizado no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (2008), que contou com o apoio da FAPESP e do Centro Cultural de Espanha em São Paulo e Buenos Aires, o livro é organizado por Cristina Freire – docente e curadora do MAC-USP – e Ana Longoni – escritora, pesquisadora e docente da Universidade de Buenos Aires–, que desenvolveram estudos e entrevistas em português e espanhol.

“Trabalho há 15 anos pesquisando Conceitualismo. Em 2007, em Barcelona, descobri que existiam vários pesquisadores sobre o tema no mundo e na América Latina, como por exemplo, no Peru, Uruguai, Chile e Argentina. A relação com a violência na ditadura e a falta nos acervos e, conseqüentemente, a ausência nos museus, abriu uma lacuna na memória. Assim, decidimos formatar esse livro para preservar ainda mais esse movimento artístico”, afirma Cristina Freire.

A pesquisa envolve o projeto artístico de Beau Geste Press/Libro Acción Libre, entrevista com os artistas Felipe Ehrenberg, Paulo Bruscky, Clemente Padín, Graciela Carnevale, Antoni Mercader. Apresenta também estudos sobre patrimonialização da arte Conceitual: Grup de Treball (Antoni Mercader), um texto sobre “A guerrilha cultural no Peru em 1970 (Emilio Tarazona e Miguel López López)”, e imagens de obras e de artistas.

Sobre as organizadoras:

Cristina Freire:

Docente e curadora do Museu de Arte Contemporanea da Universidade de São Paulo. Publicou diversos artigos em revistas especializadas nacionais e internacionais assim como é autora dos livros: Além dos Mapas. Os Monumentos no Imaginário Urbano Contemporâneo, São Paulo, Annablume/Fapsp,1997; Poéticas do Processo . Arte Conceitual no Museu; São Paulo, Iluminuras,1999 Arte Conceitual, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2006, entre outros.

Ana Longoni:
Escritora e pesquisadora do CONICET e docente da Universidade de Buenos Aires (UBA). Publicou recentemente entre outros livros. Publicou recentemente entre outros livros: Del Di Tella a Tucumaán Arde (Buenos Aires, El cielo por asalto, 2000, reedición: Eudeba, 2008). Traiciones: La figura del traidor em los Relatos acerca de los sobrevivientes de lá represión, (Buenos Aires, Norma, 2007) e o volume coletivo El Siluetazo (Buenos Aires, Adriana Hidalgo Editora, 2008).

Lançamento:


Dia 28 de outubro de 2009, quarta-feira, das 18:30 hs às 21:30hs.
Livraria Martins Fontes Paulista - 11 2167 - 9900
Av. Paulista, nº 509 - São Paulo - SP (próximo à Estação Brigadeiro do Metrô)

Contatos de fontes:
Cristina Freire: 11- 9809-8183 / 3091-3392 E-mail: cfreire@usp.br
Felipe Ehrenberg- Artista Mexicano que participa do livro –
11 – 3375-6407 / 8187-8527

Dados Técnicos:
Conceitualismos do Sul/Sur
Cristina Freire e Ana Longoni (Orgs.)
Formato 16x23 cm, 362 páginas
ISBN: 978-85-7419-957-3

Assessoria de imprensa
Nicolau Kietzmann
nicolau@annablume.com.br
11-8273-6669
11-3070-3336
skype:nkp161
www.annablume.com.br

Fotógrafo Claudio Edinger lança seu 1º romance - Um Swami no Rio




A história de um iluminado na Cidade Maravilhosa

O primeiro romance do fotógrafo Claudio Edinger, Um Swami no Rio, uma história mística e policial, em que Jaime, o protagonista, conhece um indiano iluminado que vai mudar sua vida. Edinger surpreende na sua primeira obra literária, com uma intricada e divertida trama construída num estilo leve e despretensioso que prende o leitor do começo ao fim.

A trama gira em torno da busca pelo auto-conhecimento de Jaime e as descobertas reveladas pelo swami, um título hindu iogue. Paralelamente, ocorre o seqüestro de sua amiga Teresa. A história, então, começa a transcorrer em paisagens que vão desde favelas no Rio de Janeiro, passando pelos Estados Unidos, até viagens emblemáticas na Índia: “O livro acontece no Rio de Janeiro, que, apesar de nunca ter morado lá, é a cidade onde nasci e vai ser sempre um dos meus lares. E se passa também em grande parte na Índia porque não existe lugar no planeta mais intrigante, surreal e divertido do que lá”. O autor ainda completa:

“O leitor, conduzido pelo olhar do fotógrafo e narrador-personagem, entra em contato com uma visão global, que apreende diversas referências, mas que não se cristaliza diante das situações. Jaime é, sobretudo, um espectador antropológico, um ouvinte e um contador de histórias. A diferença entre ele e a maior parte dos personagens reais que habitam as grandes cidades hoje é a capacidade de perceber as coisas que estão à sua volta e se envolver, tendo consciência de que todas as coisas se comunicam e se relacionam”.

Edinger se formou em economia aos 22 anos, mas decidiu seguir carreira de fotógrafo. Já conviveu com Judeus Ortodoxos do Brooklin, morou cinco anos no excêntrico Hotel Chelsea, em Nova York, no Venice Beach, na Califórnia. Nos últimos 20 anos em busca de imaens, passou por Havana, Rio de janeiro, sertão da Bahia, São Paulo e, especialmente, pela Índia. Para ele, Um Swami no Rio “é uma combinação do que vivi e vivo com uma boa pitada de criatividade. A vida do swami Dayanand, personagem do indiano iluminado, é baseada em grande parte na vida e nos ensinamentos de Paramahansa Yogananda, a quem sigo desde que li sua autobiografia em 1975. A respiração iogue (pranayama) altera o design do cérebro e modifica tudo no homem. Claro que não é uma fórmula mágica, que dá certo para todos. Mas quando dá certo, é um grande barato e altera radicalmente o cotidiano, introduz transcendência em nossas vidas”.

Claudio Edinger é fotógrafo profissional, autor de 13 livros fotográficos, premiados internacionalmente. Suas fotos fazem parte dos acervos dos maiores museus e de grandes colecionadores brasileiros. Ele segue os ensinamentos de Paramahansa Yogananda e pratica ioga e meditação desde 1975.

Um Swami no Rio
A História de Um Iluminado na Cidade Maravilhosa
Autor: Claudio Edinger
Editora Annablume
Selo [e] editorial
Formato 16x23cm, 256 páginas
Valor: R$ 40,00

Contatos:
Claudio Edinger: cel: 5511 8447 0777 /11 3667 7661 / edinger@terra.com.br / http://www.claudioedinger.com/

Assessoria de imprensa
Nicolau Kietzmann
nicolau@annablume.com.br
11-8273-6669
11-3070-3336
skype:nkp161
www.annablume.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Livro O Fervo da Terra será Lançado em Cuiabá

Credito - Bruna Pasquini

O Fervo da Terra será Lançado em Cuiabá

A escritora e antropóloga Deborah Goldemberg fará o lançamento de seu mais novo livro no próximo dia 8 de outubro na FLIMT – Feira do Livro Indígena de Mato Grosso –, no Pavilhão Palácio, às 17 horas, no estande da própria editora.

Sobre a obra
A novela da escritora e antropóloga Deborah Goldemberg é uma epopéia dos migrantes gaúchos para os estados do Norte em busca de novas oportunidades e os conflitos que surgiram quando eles se depararam com a “corrida do ouro” nos anos 90, acompanhada da criação de cidades e vilarejos com crescimento desordenado, o que estremeceu o equilíbrio das comunidades rurais e indígenas. Com enredo cheio de tramas que envolvem as relações familiares, a ganância do ganho rápido do dinheiro com o ouro, as paixões, a conquista moral e suas derrotas, o texto ainda tem o cunho ambiental.
O prefácio é do renomado Sociólogo José de Souza Martins, Professor Emérito (2008) e Professor Titular do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), que recentemente lançou um livro com o mesmo tema:

“A narrativa de Aké tece a visibilidade da trama de ocultações que enredam a vida de cada um nos liames da tumultuada e violenta ocupação da fronteira.”, diz o professor.
O texto é baseado na linguagem multiétnica e transbrasileira em que Deborah Goldemberg faz o leitor viajar nas relações sociais, nas tentações que levam até os homens mais dedicados irem à bancarrota, miseráveis conquistarem seu espaço social, brancos, negros e índios trocarem seu papel que tanto uma sociedade insiste em manter como tradição.

“Viajei muitos anos pelo Brasil participando de projetos de desenvolvimento junto a comunidades quilombolas, indígenas e até com grandes produtores e fazendeiros. Assim conheci a realidade brasileira, as misturas étnicas, os diversos credos, seus sonhos e seus anseios. Aos poucos, o ímpeto de transformar aquela realidade cedeu a um encanto cada vez maior pelas coisas como elas são e eu soube que tinha que escrever sobre tudo isso...”, conta a autora.

Com o Mato Grosso de pano de fundo, Estado que foi amplamente ocupado por gaúchos, os principais personagens do livro são a família de Seu Luis, o índio Aké Panará - que é separado de sua família logo na infância, quando seu povo perde suas terras -, e o negro Messias, líder do garimpo, que invade as terras de Seu Luis e muda o rumo da história de todos na região.

Chama a atenção, a voz do narrador, que Prof. Martins caracteriza como, “Eco da sonoridade barroca que ficou por aí na fala cantada do povo sertanejo e nas sutilezas do duplo sentido que a caracteriza e que é o seu conteúdo. O que nela importa é a correção das idéias na dialética dos opostos que lhe dá sentido”. Em sua opinião a formação antropologica e o talento literário da autora que, “a tornaram sensível aprendiz da língua do sertão, aquela fala cheia de rebuscamentos e sonoridades de obra de arte”. A autora explica: “Percebendo que esta voz estava viva em mim, que eu conseguia mimetizá-la, eu me dei a liberdade de nela escrever. Erra quem pensa que Aké ‘fala errado’. Ele narra num misto de sua língua nativa e um português impregnado de diversas influências. O multilinguismo, na minha opinião, ainda é a principal característica da prosa falada do brasileiro.”
Sobre a autora

Deborah Goldemberg nasceu em São Paulo, em 1975, é antropóloga e escritora. Atuou na área de desenvolvimento local sustentável no Norte e Nordeste do Brasil durante uma década. Estreou com o livro Ressurgência Icamiaba (Selo Demônio Negro, Ed. Annablume, 2009), após publicar diversas crônicas e poemas em coletâneas. Agitadora da literatura transbrasileira e multiétnica, foi curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas (2009), é colunista do projeto internacional de blogueiros Global Voices e da revista eletrônica Oca das Letras. Visite o blog: http://fervodaterra.blogspot.com/

Autora: Deborah
Edição: 1ª
Data de Publicação: 2009
ISBN: 978-85-99146-78-1
Tamanho: 13,8 x 20,8 cm
Nº de páginas: 96
Gênero: Literatura / Ficção
Editora: Carlini & Caniato Editorial
Preço: 20,00
Contatos:
Ramon Carlini
(65)3023-5714/5715
ramon@tantatinta.com.br

Nicolau Kietzmann
Assessoria de imprensa
nicolau@dgnk.com.br
11-8273-6669
11-3070-3336
skype:nkp161