terça-feira, 19 de julho de 2011

Lanç. do livro: Da Origem e Propagação do Café de Antonio Galland (As Mil e Uma Noites)


Um livro-presente, com aroma de café e gosto de bate-papo. É assim que a carta escrita pelo arabista Antonio Galland, um dos introdutores do exotismo na Europa, para o Chassebras de Camaille em 1696, chega ao leitor contemporâneo numa edição da Editora Octavo. Através de uma narrativa detalhada, aprendemos os percalços que o personagem principal desta história, o café, teve de enfrentar para tornar-se uma unanimidade mundial.
  Galland data o início desta conquista no Século XV, quando um jurista muçulmano chamado Gemaleddin Dhabhan visitou a Pérsia a bebida chamou a sua atenção. Quando voltou para casa, viu-se adoentado e resolveu experimentar o café. A sensação de bem estar e altivez levaram-no a adotar o hábito para a realização das preces muçulmanas noturnas, que varavam as noites. Tornou-se o grande responsável pela disseminação da bebida.
A partir daí, em Meca, no Cairo e em Constantinopla, o café se popularizou entre devotos e não devotos. Considerado inebriante por uns e útil para despertar o espírito por outros, o hábito de beber café passou por julgamentos, exaltações e proibições, caracterizando uma relação de amor e ódio com a religião muçulmana. Quando as casas de café tornaram-se mais populares do que as mesquitas, começaram a fechá-las. Havia que fizesse apologia ao café, tomasse escondido e até quem traficasse grãos, algo ora tolerado ora repreendido duramente por policiais.
  Ao final do período histórico coberto por Galland o café saia vitorioso e as pessoas bebiam-no por todo o Império Otomano, chegando a 20 xícaras por dia. A chegada e a conquista do café na Europa é um tema brevemente explorado ao final do livro, não na missiva epistolar de Galland, mas em nota extraída do Dicionário de História Natural, que informa sobre a chegada do café na Europa e sua disseminação de lá para as colônias.
Sobre o autor:
Antonie Galland nasceu na França. Arabista, filólogo, numismata, conhecedor do hebraico, viajou pelo Oriente e trouxe consigo algumas gemas, como a série de contos que se tornou um dos livros mais célebre do mundo: As Mil e Uma Noites, adaptado e traduzido por ele entre 1704 e 1717. Na época, havia poucas coisas na França sobre o Oriente, portanto, ele situa-se na origem do exotismo, isto é, o fascínio dos Europeus pelas coisas do Oriente, como o chocolate, a baunilha e o café.  
Sobre o livro:
Título: Da origem e propagação do café
Autor: Antoine Galland
Editora Octavo
Tradução: Cristina Cupertino
Título Original: De l origine et du progrèz du café
Formato: 17 X 12 cm
Encadernação: Capa dura
Nº de páginas: 112
Preço: R$ 35,00

Nicolau Kietzmann Goldemberg
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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Livro: A Nau dos Insensatos

O primeiro best-seller de todos os tempos, A Nau dos Insensatos, publicado em 1494 (prensa de Gutenberg é de 1440), ironiza a sociedade do seu tempo. Seu apelo foi tão grande que, no tempo de vida do autor, a obra foi editada 15 vezes e traduzida para várias línguas, tornando-se a primeira obra da literatura alemã a ser traduzida para o inglês. Ao morrer, em 1521, Sebastian Brant era o autor mais renomado da Europa.
Dividido em 112 capítulos curtos, cada qual dedicado a um tipo de louco ou insensato, o livro proporciona uma leitura provocadora e divertida. Sua temática ressoa ainda hoje, já que o autor lança olhar crítico sobre as falácias da justiça e da Igreja, a avidez e vulgaridades dos nobres e pobres, nem os exageros da moda o escapam.
Considera-se que a Nau dos Insensatos inaugurou uma nova vertente na literatura mundial, a literatura da loucura, inspirando grandes clássicos como Rei Lear (aproximadamente 1606), de William Shakespeare; O Elogio da loucura (1511), de Erasmo; O aventuroso Simplicissimus (1667), de Grimmelshausen.
Formado em Direito, Brant foi advogado e juiz. Profundamente católico, acreditava que seus poemas satíricos fariam com que as pessoas se enxergassem e, a partir disso, se tornassem pessoas melhores. Já no prefácio, Brant anuncia suas intenções: “Que seja de utilidade e sirva de salutar ensinamento, de estimulo à conquista da sabedoria, juízo e bons costumes, assim como à emenda e punição da insensatez, cegueira, desacerto e inépcia dos homens e mulheres de todas as condições.”
O livro é repleto de referências bíblicas e literárias, amparado por comentários de rodapé nesta edição. Ao falar sobre os maus costumes e irresponsabilidade dos pais na educação dos filhos, por exemplo, Brant cita o personagem de uma fábula da época que, condenado a morte, declara que seu último desejo é ver a mãe. Quando esta chega, Albino arranca seu nariz com uma mordida e esclarece que fez isso por ela não o ter educado na infância...  “Aquele que gera um filho sábio...deve agradecer a Deus em todas as suas orações por tamanha graça.”...
A belíssima edição brasileira, publicada pela editora Octavo, conta com a capa em relevo e ilustrações do grande pintor a gravurista Albrecht Durer, expoente do Renascentismo alemão. A tradução, elaborada a partir de uma edição em pré-novo-alto-alemão, priorizou a acessibilidade ao leitor brasileiro contemporâneo adotando a versão em prosa.
Sobre o autor:
Sebastian Brant nasceu em 1457 na cidade de Estrasburgo,que na época fazia parte do Império Romano-Germânico.Em 1475 iniciou o estudo de Direito e Línguas Clássicas na Universidade da Basileia, onde se formou como bacharelem 1477 e como licenciado em 1484. No ano seguinte casou-se com Elisabeth Burg, com quem teve sete filhos. Concluído o Doutorado em 1489, assumiu uma cátedra na mesma Faculdade, passando a lecionar Direito Canônico e Direito Romano(ou Civil). Ao mesmo tempo, atuava como advogado e juiz. Em 1499, a Basileia foi acolhida na Confederação Suíça, separando-se do Império, o que levou Brant, em 1500, a mudar-se de volta para Estrasburgo. Lá desempenhou diversos cargos públicos, sendo inclusive, em algumas ocasiões, chamado a atuar como conselheiro do imperador Maximiliano I. Quando faleceu, em 1521, era o autor alemão mais renomado em toda a Europa.
Sobre o livro:
Título: A Nau dos insensatos
Autor: Sebastian Brant

Editora: Octavo
Ilustrações: Atribuídas a Albrecht Durer
Tradução: Karin Volobuef
Título Original: Das Narrenschiff
Capa: João Baptista da Costa Aguiar
Revisão: Rosana de Angelo
Formato: 16 X 23 cm
Encadernação: Brochura
Nº de páginas: 354
Assunto: Literatura alemã
ISBN 9788563739001
Edição: 1ª
Preço: R$ 58,00

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lançamento: LEVE-ME COM VOCÊ

De forma leve e divertida o francês Paul Desalmand conta sobre o livro de uma outra visão: Dele mesmo. O livro desta história nasce com duzentos e trinta gramas e viu a luz na gráfica de La Manutention em 17 de junho de 1983 às 16h37 e vão de conversas no fundo de estoque, a cobrir o corpo nu de ‘sua bonitinha’, ser lido por mendigo para mendigos até seu fim no continente africano.
Os encontros noturnos com os companheiros levam a conversas intrigantes. É o momento em que, pelo jogo das proximidades, Ana Karênina encontra San-Antonio, que papeia com um dicionário de citações que faz a corte a Virginia Woolf, ou, o Crime e Castigo de Dostoievski, em que o livro declara: “Só matei um piolho, Sonia um piolho inútil e nocivo” ou discussão entre Mauriac, Malraux, Malherbe, Marx e Maquiavel.
Um livro que pode parecer até leve de mais, mas que qualquer leitor informado consiga se sentir em um dos momentos parte da história ou ficar surpreendido com a riqueza citações e de autores, não fugindo os brasileiros.
As aventuras desde opúsculo começa na primeira ida à livraria, é abandonado no fundo de um depósito, protegendo uma leitora estendida na praia do sol de verão, embarcado para a África, acompanhando um mendigo sob as pontes de Paris, em posição de sentido na biblioteca de Nevers, ganha notoriedade em um romance passageiro até chegar à deterioração, que é a velhice dos livros e ao desenlace final...
Todos carregamos em nossa existência esses velhos companheiros. Tem-se quase a impressão de que se agarraram, que se grudaram a nós. Livros da infância que acreditávamos perdidos de vez e que estavam escondidos ali, sempre presentes, sempre fiéis, com a tinta um pouco mais desbotada, o papel amarelado. Cada dobra que apresentam corresponde a uma de nossas rugas. Eis a história de um deles. Melhor que muitos ensaios, este romance nos mostra a que ponto os livros existem para nós, quanto têm sido importantes e quanto ainda o serão.

Sobre o autor:
Paul Desalmand nasceu a 24 de agosto de 1937, às seis horas da manhã (tal precisão é dirigida aos astrólogos), numa aldeia na Alta Savoia, França. Da própria origem ele diz, parafraseando Tchekov: “Nasci no povo. Não me vão impingir a lenda das virtudes populares”. Professor e posteriormente escritor e crítico, publicou entre 50 e 60 obras de diversos gêneros (livros escolares, histórias para crianças, crítica literária, história, etc.), dentre as quais Cher Stendhal, Un pari sur la gloire, Écrire est un miracle – todos da Éditions Berenice – e Picasso par Picasso, da Éditions Ramsay.

Dados Técnicos:
Título: LEVE-ME COM VOCÊ
Subtítulo: AS AVENTURAS DE UM LIVRO VIAJANTE
Autor: Paul Desalmand
Tradução: Myriam Campello
Assunto: Literatura francesa
ISBN: 9788563739032
Número de páginas: 176
Formato: 21 X 14
Encadernação: brochura
Edição: 1ª – 2011
Preço: R$ 44,00

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terça-feira, 7 de junho de 2011

Lançamento: Slow Reading: Os benefícios e o prazer da leitura sem pressa

Lançamento: Slow Reading: Os benefícios e o prazer da leitura sem pressa

Desacelere! Com o acesso fácil a informação, seja o texto por celular, tablets, notebooks, e-reader, e-books cada vez mais estamos consumindo um quantidade enorme de informações e a pergunta que fica é: Toda essa informação é válida? É prazerosa leitura de pequenas informações ou a leitura longa em telas?

Na linha do Slow Movement o autor John Miedema que trabalha na IBM decide montar alguns paralelos reunidos no livro, parte de uma tese, e mostra que o Slow reading é muito mais proveitoso e prazeroso. O livro examina essas pesquisas desde as primeiras referências, na religião e filosofia, até a prática da leitura acurada nas humanidades. As pesquisas em psicologia e neurofisiologia fornecem uma tentativa de explicação para o papel da leitura lenta.

A prática involuntária de leitura lenta tem sido bastante pesquisada, mas pouco se sabe sobre a prática voluntária desse tipo de leitura. Slow reading chama a atenção para as ideias emergentes da tecnologia e explica como as tradicionais tecnologias de impressão e do livro persistiram graças à necessidade da leitura lenta e da compreensão profunda de um texto.

O tema na linha no Slow Movement fornece um insight sobre a importância da localização física na nossa relação com as informações. Acima de tudo, slow reading representa uma redescoberta do prazer da leitura por si mesma.

Sobre o autor:

John Miedema é especialista em tecnologia da informação na IBM, onde se especializou em tecnologias da rede. É aluno em tempo parcial do programa de mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade de Ontário Ocidental, com concentração nas áreas de pesquisa sobre leitura e bibliotecas de fonte aberta. John mora com a mulher e dois filhos adolescentes em Southwestern Ontario.

Dados Técnicos:
Editora: Octavo
Título: Slow Reading: Os benefícios e o prazer da leitura sem pressa
Autor: John Miedema
Tradução: Cristina Cupertino
Título Original: Slow Reading
Capa: Mai Design
Imagem da capa:  Iman Maleki -  Sisters and book, óleo sobre tela, 1997
Formato: 21 X 14 cm
Nº de páginas: 128
Assunto: Livros e leitura
ISBN: 978-85-63739-04-9
Edição: 1ª
Preço: R$ 37,00


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Para conhecer mais sobre a editora: www.octavo.com.br
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A DGNK assessoria de imprensa inicia o atendimento da Editora Octavo


A DGNK assessoria de imprensa inicia o atendimento
da Editora Octavo

A editora que comemora um ano de vida, foi fundada por Isildo de Paula Souza, profissional do mercado editorial há 20 anos, com passagem de 18 anos na Livraria Cultura e de dois anos na Livraria da Vila como importador de títulos. Participou inúmeras vezes das feiras Feira do Livro de Frankfurt, Book Expo America, Liber - Feira do livro de Madrid/Barcelona Salon du Livre - Paris Feira de Livro de Londres entre outras.
A Editora Octavo abriu as portas do mercado editorial com o livro do poeta José Carlos Honório com o livro Dias de colecionar borboletas. O autor é vendedor da livraria Cultura e personalidade por ser um literato e grande conhecedor das obras nas estantes da loja.
Em busca de livros de relevantes e com acabamento primoroso então no catálogo os títulos: O fim dos livros (Título Original: La Fin des Livres) de Octave Uzanne, Diário de Livros do autor Rotraut Susanne Berner, A Nau dos Insensatos (Título Original: Das Narrenschiff) do autor Sebastian Brant com ilustrações atribuídas a Albrecht Durer e tradução Karin Volobuef, o livro Leve-me Com Você: As Aventuras De Um Livro Viajante (Título Original: Le Pilon) do autor Paul Desalmand e Slow Reading: Os Benefícios e o Prazer Da Leitura Sem Pressa (Título Original: Slow Reading) do autor John Miedema.

O contato com a imprensa será feito pela DGNK Assessoria de Imprensa, que já trabalha com literatura, filosofia, sociologia entre outros.
Releases e capas em alta estarão disponíveis no blog: www.tocadobuck.blogspot.com  e as sinopses e demais informações no site www.octavo.com.br .
Abraços,
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terça-feira, 12 de abril de 2011

Lançamento: Traduzindo Hannah – Editora Record

Lançamento: Traduzindo Hannah – Editora Record

Com um enredo envolvente que mistura paixões arrebatadoras, mistérios e perseguições políticas, Max Kutner é um imigrante judeu que se vê obrigado a trabalhar para a censura postal carioca do governo linha-dura de Getúlio Vargas. Ronaldo Wrobel recria uma época lendária na história do Brasil, quando comunistas e fascistas se enfrentavam nas ruas do Rio de Janeiro às vésperas da Segunda Guerra Mundial.
O autor escreve com bom humor e um ritmo “vertiginoso” - palavras da escritora e jornalista Cíntia Moscovich, que assina a orelha do livro - e leva o leitor a um desfecho surpreendente. Tendo pesquisado a Era Vargas, conclui:
“O Brasil é uma festa de crenças, raças, tradições etc. Um rabino estrangeiro me disse que é difícil sustentar a religiosidade num lugar tão gregário, onde todo mundo cobiça a fé do próximo e cede um pouco da sua. Para os imigrantes judeus foi espantoso chegar num lugar assim depois de tantos séculos de discriminação. Meu avô era irmão do Adolfo Bloch, que foi casado por muitos anos com uma não-judia apesar de ser um judeu convicto. Outro tio russo casou com uma índia nos anos 1950! Minhas avós diziam que nunca existiu antissemitismo no Brasil, só movimentos isolados como o integralismo. Getúlio Vargas não teria perseguido judeus por causa do judaísmo em si, mas porque muitos judeus eram de esquerda. Por sinal, Vargas também perseguiu alemães, italianos e japoneses. Era um nacionalista ferrenho”.
O livro levou seis anos para ser escrito e Cíntia Moscovich afirma:“o autor elabora um painel humano e uma rede de peripécias como poucas vezes antes se viu na cena literária nacional”.  Pacato sapateiro na Praça Onze no centro do Rio de Janeiro, Max Kutner é intimado a traduzir do iídiche para o português as cartas de sua comunidade. 
Essa tarefa se torna ingrata, envolta em dilemas que tiram a paz do sapateiro, pois o faz delatar a vida alheia, coisa que nunca esteve em seus planos. Um dia, Max se descobre apaixonado pelas cartas que uma desconhecida, Hannah, escreve para a irmã Argentina. Em seus relatos Hannah é pura, bondosa e culta, além de judia praticante, ao menos nos textos epistolares. A era Vargas é escolhida pela vibração, a vontade de mudar a realidade brasileira e ingenuidade da atmosfera dos 30:
“Foi um período trágico e romântico, de grandes ideais. O bem e o mal se enfrentavam nas ruas com uma paixão rara hoje em dia. Todo mundo queria salvar o mundo, acabar com a injustiça e a pobreza. Havia heroísmo e ingenuidade nos movimentos organizados. O Rio era uma capital vibrante e politizada. Para imigrantes judeus como Max Kutner, foi uma coisa incrível escapar da penúria e do antissemitismo na Europa para viver num país enorme, colorido e hospitaleiro, onde não faltava comida e fazia calor o ano inteiro. Na velha Rússia as pessoas costumavam dizer que a América era um paraíso porque ali se comia laranja todos os dias. No Brasil também se comia banana, mamão, manga: frutas que não existiam na Europa”.
Com predileção pela leitura de contadores de histórias, o autor tem na sua lista de favoritos os autores Stefan Zweig, Isaac Bashevis Singer e Moacyr Scliar, Miguel Sousa Tavares e Mario Vargas Llosa. São essas influências, pesquisas e mais vivências pessoais que dão o tom da escrita:
 “Pesquisei muito a Era Vargas e o período conhecido como entreguerras no Brasil e no mundo. Entrevistei idosos, frequentei asilos e clubes. Contei com excelentes obras acadêmicas e livros como Na Fogueira, do jornalista Joel Silveira, que recorda o Brasil dos anos 1930. Também consultei jornais de época na Biblioteca Nacional, como o Correio da Manhã, O Globo e Jornal do Brasil. Foi apaixonante ler os jornais daquele Rio de Janeiro, onde os embaixadores se espionavam e vendiam-se “bangalôs nos arenosos subúrbios de Ipanema e Leblon” (palavras de um anúncio imobiliário de 1937, com fotos e gráficos explicativos)”.
E completa:
“Meus avós e tios-avós vieram do leste europeu no começo do século. Cresci ouvindo histórias sobre fugas, separações, reencontros etc. A adaptação ao Brasil era especialmente fantástica. Imagine o que significava sair de aldeias isoladas e miseráveis na Polônia ou na Rússia para cair num Rio de Janeiro ensolarado e acolhedor. Boa parte do romance se passa na Praça Onze, onde judeus se misturavam com negros, portugueses, italianos, árabes. A própria colônia judaica era cheia de contrastes e polêmicas com suas figuras típicas: comunistas, sionistas, ortodoxos, polacas, casamenteiros etc. A trama central é fictícia, mas há várias biografias ali – inclusive a minha”.
Traduzindo Hannah
Autor: Ronaldo Wrobel
ISBN: 8501091146
Gênero: Romance brasileiro
Páginas: 272
Formato: 14 x 21 cm
Editora: Record
Preço: R$ 32,90

Contatos com o Autor:
Celular: (21) 8101-1122
Mais sobre o Autor:
Ronaldo Wrobel nasceu em 1968 no Rio de Janeiro. É autor dos romances Traduzindo Hannah (Record, 2010) e Propósitos do Acaso (Nova Fronteira, 1998), além dos contos reunidos em A Raiz Quadrada e outras histórias (Bomtexto, 2001) e do infanto-juvenil Nossas Festas - celebrações judaicas (Francis, 2007).
Em 2002, A Raiz Quadrada e outras histórias foi recomendado pelo Ministério da Cultura para fazer parte do acervo das bibliotecas públicas federais.
Em 2010, participou da mesa "As nossas ficções de cada dia", na 6a. Festa Literária Internacional de Pernambuco - FLIPORTO, ao lado de Contardo Calligaris e João Tordo. É autor convidado para a FLIMAR 2011 (Festa Literária de Marechal Deorodo – Alagoas).
Trabalha também como advogado, conciliando as letras da lei com a lei das letras.
Ronaldo Wrobel Foto: Divulgação
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Entrevista com Ronaldo Wrbel autor de Traduzindo Hannah

Como surgiu a história que se desenrola no livro?

Um professor de psicologia me ensinou, há muitos anos, que somos todos parecidos uns com os outros. Temos mais ou menos os mesmos problemas e o nosso maior medo é que os outros descubram isso. Essa lição me impressiona até hoje. É nela que baseio \ história de Traduzindo Hannah. Os personagens e o ambiente histórico foram inspirados nos imigrantes judeus chegados ao Brasil nos anos 20 e 30, fugindo dos massacres, guerras e revoluções que atingiam a Europa.

Existe uma pitada de história ou vivência pessoal ou familiar?

Com certeza. Meus avós e tios-avós vieram do leste europeu no começo do século. Cresci ouvindo histórias sobre fugas, separações, reencontros etc. A adaptação ao Brasil era especialmente fantástica. Imagine o que significava sair de aldeias isoladas e miseráveis na Polônia ou na Rússia para cair num Rio de Janeiro ensolarado e acolhedor. Boa parte do romance se passa na Praça Onze, onde judeus se misturavam com negros, portugueses, italianos, árabes. A própria comunidade judaica era cheia de contrastes e polêmicas com suas figuras típicas: comunistas, sionistas, ortodoxos, polacas, casamenteiros etc. A trama central é fictícia, mas há várias biografias ali – inclusive a minha.

Ao discorrer no livro há algum processo de pesquisa? Qual foi ele?

Pesquisei muito a Era Vargas e o período conhecido como entreguerras no Brasil e no mundo. Entrevistei idosos, frequentei asilos e clubes. Contei com excelentes obras acadêmicas e livros como Na Fogueira, do jornalista Joel Silveira, que recorda o Brasil dos anos 1930.  Também consultei jornais de época na Biblioteca Nacional como o Correio da Manhã, O Globo e Jornal do Brasil. Aliás, é apaixonante ler os jornais daquele Rio de Janeiro, onde os embaixadores se espionavam e vendiam-se “bangalôs nos arenosos subúrbios de Ipanema e Leblon” (palavras de um anúncio imobiliário de 1937, com fotos e gráficos explicativos).


Por que a época de Vargas?

Porque foi um período trágico e romântico, de grandes ideais. O bem e o mal se enfrentavam nas ruas com uma paixão rara hoje em dia. Todo mundo queria salvar o mundo, acabar com a injustiça, com a pobreza. Havia uma ingenuidade, um heroísmo inocente nos movimentos organizados. O Rio era uma capital vibrante e politizada. Para imigrantes judeus como Max Kutner, meu personagem central, foi uma coisa incrível escapar da penúria e do antissemitismo na Europa para viver num país enorme, colorido e hospitaleiro, onde não faltava comida e fazia calor o ano inteiro. Na velha Rússia as pessoas costumavam dizer que a América era um paraíso porque ali se comia laranja todos os dias. No Brasil também se comia banana, mamão, manga: frutas que não existiam na Europa.

Quanto tempo demorou para escrever o Traduzindo Hannah?

Seis anos, com alguns intervalos e recuos. Não foi um trabalho linear. Parei no meio e refiz muita coisa. Só as revisões duraram dois anos. Cortei muita coisa, quase um terço da história e personagens que estavam sobrando. Um capítulo enorme e passado na Amazônia acabou reduzido a dois parágrafos. Mostrei o livro para os amigos, ouvi conselhos etc. O final também foi reescrito várias vezes. Depois, o livro passou pelo crivo de uma professora de iídiche e de um historiador.

Você já escreveu outros livros. Porque o desafio de um romance adulto?

Porque sou adulto, gosto de sê-lo e não saberia escrever para outro público. Os personagens de Traduzindo Hannah passam por transformações tipicamente adultas, abolindo certezas, enfrentando dilemas e traumas, sendo surpreendidos, sucumbindo ou superando desafios pelo caminho. É um livro essencialmente reflexivo, apesar da trama “vertiginosa”, nas palavras de Cíntia Moscovich.

E sua formação em advocacia, o que complementa no aprendizado do livro?

A prática da advocacia pode ser uma excelente fonte de ideias. O Direito Forense, por exemplo, é quase todo feito de argumentos, de conflitos nem sempre solúveis. O Tribunal de Justiça do Rio está cheio de histórias maravilhosas. Aliás, um dos lemas de Traduzindo Hannah foi inspirado na rotina dos juízes que conheci: é mais fácil julgar sem compreender do que compreender sem julgar. Há questões de alta complexidade, que só são julgadas porque precisam sê-lo, e não porque o juiz esteja realmente convencido de sua sentença. Em nossas vidas acontece mais ou menos a mesma coisa, inclusive diante do espelho.

O livro trata de assuntos como prostituição, quebra de sigilos, perseguição, antissemitismo etc., e com bom humor. Como foi essa escolha e o processo para desenvolver o texto?

Cresci ouvindo histórias da comunidade judaica da Praça Onze, onde essas questões eram corriqueiras. De certo modo, são questões corriqueiras para todos porque nossos desafios são mais ou menos parecidos, como disse o meu professor de psicologia. Quanto ao humor, sou bem humorado até nos piores momentos, o que é visto como um traço tipicamente judaico. O humor judaico é aquele que tira proveito de tudo e de todos, em geral com um sentido crítico e moral. Procuro fazer textos bem humorados, com um pé (ou um dedão) nos absurdos cotidianos. Costumo dizer que as coisas reais são interessantes por natureza, porque existem e pronto. Já as criações têm o dever de ser interessantes para chamar a atenção do público. O humor é um excelente chamariz.

No livro, você fala que na praça XI no Rio de Janeiro, é um local onde se encontram várias etnias, cores e credos. Você vê o Brasil como um local ‘misturas’ e isso é interessante na sua vivência para escrever o livro?

O Brasil é uma festa de crenças, raças, tradições etc. Um rabino estrangeiro me disse que é difícil sustentar a religiosidade num lugar tão gregário, onde todo mundo cobiça a fé do próximo e cede um pouco da sua. Para os imigrantes judeus foi espantoso chegar num lugar assim depois de tantos séculos de discriminação. Meu avô era irmão do Adolfo Bloch, que apesar de ser um judeu convicto, foi casado por muitos anos com uma não-judia. Outro tio russo casou com uma índia nos anos 1950! Minhas avós diziam que nunca existiu antissemitismo de verdade no Brasil, só movimentos isolados como o integralismo. Getúlio Vargas não teria perseguido judeus por causa do judaísmo em si, mas porque havia muitos judeus de esquerda. Por sinal, Vargas também perseguiu alemães, italianos e japoneses. Era um nacionalista ferrenho.

O universo do texto é claramente judaico em sua maioria. Você acha que alguém que não conhece a cultura e hábitos judaicos podem ter em prazer em ler o seu livro?

Sim, com certeza. Em primeiro lugar porque o judaísmo não é uma cultura isolada. Pelo contrário. Judeus sempre dialogaram com outros povos, trocando influências desde a Antiguidade. Os costumes ocidentais têm praticamente a mesma origem, que é a chamada cultura judaico-cristã. É verdade que o livro destaca uma comunidade específica na Praça Onze carioca, mas as questões tratadas são universais: paixão, medo, ambição. As palavras em iídiche ou hebraico dão um tom pitoresco ao texto e têm um sentido intuitivo, ou seja, não comprometem a leitura (quem quiser saber mais terá um glossário no final). Os não-judeus compreendem perfeitamente o livro e ainda acham graça nas tradições que não conheciam.

E para a comunidade judaica, o que o livro traz de mais interessante? Será que não é apimentado de mais?

O livro trata de questões ainda hoje incômodas para a comunidade judaica, como as polacas e os rufiões judeus. Mas não escrevi um panfleto elogioso sobre o povo judeu, nem acho inteligente esconder a sujeira da história para transformar o passado num conto de fadas, com bruxas e fadas. Os dilemas, as vergonhas, os erros do passado devem ser sempre conhecidos e revisitados, inclusive para que alguns não se repitam. A História é um legado a ser estudado com honestidade. Seria ofensivo, para todos nós, que daqui a um século a posteridade retratasse a nossa época com distorções e maniqueísmos só para atender aos seus interesses.

Qual é sua base literária? Quais são os textos ou autores der mais importância?

Gosto de contadores de histórias e os judeus são hábeis nisso. Cito Stefan Zweig, Isaac Bashevis Singer e Moacyr Scliar. Primo Levi também é um excelente autor, mais centrado na Segunda Guerra e suas consequências. Em termos de romance histórico, admiro muito Equador, de Miguel Sousa Tavares. Mario Vargas Llosa também é um excelente fabulador em Tia Júlia e o Escrevinhador. Fora da ficção, recomendo os livros do economista Eduardo Giannetti, ensaios inteligentes sobre temas filosóficos. Ou seja, não tenho uma base literária específica, identificada com movimentos ou autores em particular.

Quando cursou Direito na PUC-Rio? Fez alguma outra graduação ou curso de especialização ? Onde?

Formei-me em Direito em 1998, aos 30 anos, tardiamente porque antes disso estudei Psicologia na mesma PUC-Rio. Larguei o curso no sétimo período, quase diplomado, porque já não queria ser psicólogo. Gostava mesmo é das leituras de Freud, Jung, Erich Fromm e uns tantos pensadores que me influenciaram decisivamente. O diploma em Direito também foi atrasado porque no meio do curso comecei a escrever meu primeiro romance, Propósitos do Acaso. Depois de formado, fiz vários cursos de especialização em roteiro para cinema e televisão, com profissionais como Doc Comparato e Paulo Halm. Talvez por isso muitos digam que meus livros são “imagéticos”.


Contatos com o autor:

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