segunda-feira, 6 de junho de 2011

A DGNK assessoria de imprensa inicia o atendimento da Editora Octavo


A DGNK assessoria de imprensa inicia o atendimento
da Editora Octavo

A editora que comemora um ano de vida, foi fundada por Isildo de Paula Souza, profissional do mercado editorial há 20 anos, com passagem de 18 anos na Livraria Cultura e de dois anos na Livraria da Vila como importador de títulos. Participou inúmeras vezes das feiras Feira do Livro de Frankfurt, Book Expo America, Liber - Feira do livro de Madrid/Barcelona Salon du Livre - Paris Feira de Livro de Londres entre outras.
A Editora Octavo abriu as portas do mercado editorial com o livro do poeta José Carlos Honório com o livro Dias de colecionar borboletas. O autor é vendedor da livraria Cultura e personalidade por ser um literato e grande conhecedor das obras nas estantes da loja.
Em busca de livros de relevantes e com acabamento primoroso então no catálogo os títulos: O fim dos livros (Título Original: La Fin des Livres) de Octave Uzanne, Diário de Livros do autor Rotraut Susanne Berner, A Nau dos Insensatos (Título Original: Das Narrenschiff) do autor Sebastian Brant com ilustrações atribuídas a Albrecht Durer e tradução Karin Volobuef, o livro Leve-me Com Você: As Aventuras De Um Livro Viajante (Título Original: Le Pilon) do autor Paul Desalmand e Slow Reading: Os Benefícios e o Prazer Da Leitura Sem Pressa (Título Original: Slow Reading) do autor John Miedema.

O contato com a imprensa será feito pela DGNK Assessoria de Imprensa, que já trabalha com literatura, filosofia, sociologia entre outros.
Releases e capas em alta estarão disponíveis no blog: www.tocadobuck.blogspot.com  e as sinopses e demais informações no site www.octavo.com.br .
Abraços,
DGNK Assessoria de Imprensa
11- 3070-3336
11 - 8273-6669
www.dgnk.com.br
www.tocadobuck.blogspot.com

terça-feira, 12 de abril de 2011

Lançamento: Traduzindo Hannah – Editora Record

Lançamento: Traduzindo Hannah – Editora Record

Com um enredo envolvente que mistura paixões arrebatadoras, mistérios e perseguições políticas, Max Kutner é um imigrante judeu que se vê obrigado a trabalhar para a censura postal carioca do governo linha-dura de Getúlio Vargas. Ronaldo Wrobel recria uma época lendária na história do Brasil, quando comunistas e fascistas se enfrentavam nas ruas do Rio de Janeiro às vésperas da Segunda Guerra Mundial.
O autor escreve com bom humor e um ritmo “vertiginoso” - palavras da escritora e jornalista Cíntia Moscovich, que assina a orelha do livro - e leva o leitor a um desfecho surpreendente. Tendo pesquisado a Era Vargas, conclui:
“O Brasil é uma festa de crenças, raças, tradições etc. Um rabino estrangeiro me disse que é difícil sustentar a religiosidade num lugar tão gregário, onde todo mundo cobiça a fé do próximo e cede um pouco da sua. Para os imigrantes judeus foi espantoso chegar num lugar assim depois de tantos séculos de discriminação. Meu avô era irmão do Adolfo Bloch, que foi casado por muitos anos com uma não-judia apesar de ser um judeu convicto. Outro tio russo casou com uma índia nos anos 1950! Minhas avós diziam que nunca existiu antissemitismo no Brasil, só movimentos isolados como o integralismo. Getúlio Vargas não teria perseguido judeus por causa do judaísmo em si, mas porque muitos judeus eram de esquerda. Por sinal, Vargas também perseguiu alemães, italianos e japoneses. Era um nacionalista ferrenho”.
O livro levou seis anos para ser escrito e Cíntia Moscovich afirma:“o autor elabora um painel humano e uma rede de peripécias como poucas vezes antes se viu na cena literária nacional”.  Pacato sapateiro na Praça Onze no centro do Rio de Janeiro, Max Kutner é intimado a traduzir do iídiche para o português as cartas de sua comunidade. 
Essa tarefa se torna ingrata, envolta em dilemas que tiram a paz do sapateiro, pois o faz delatar a vida alheia, coisa que nunca esteve em seus planos. Um dia, Max se descobre apaixonado pelas cartas que uma desconhecida, Hannah, escreve para a irmã Argentina. Em seus relatos Hannah é pura, bondosa e culta, além de judia praticante, ao menos nos textos epistolares. A era Vargas é escolhida pela vibração, a vontade de mudar a realidade brasileira e ingenuidade da atmosfera dos 30:
“Foi um período trágico e romântico, de grandes ideais. O bem e o mal se enfrentavam nas ruas com uma paixão rara hoje em dia. Todo mundo queria salvar o mundo, acabar com a injustiça e a pobreza. Havia heroísmo e ingenuidade nos movimentos organizados. O Rio era uma capital vibrante e politizada. Para imigrantes judeus como Max Kutner, foi uma coisa incrível escapar da penúria e do antissemitismo na Europa para viver num país enorme, colorido e hospitaleiro, onde não faltava comida e fazia calor o ano inteiro. Na velha Rússia as pessoas costumavam dizer que a América era um paraíso porque ali se comia laranja todos os dias. No Brasil também se comia banana, mamão, manga: frutas que não existiam na Europa”.
Com predileção pela leitura de contadores de histórias, o autor tem na sua lista de favoritos os autores Stefan Zweig, Isaac Bashevis Singer e Moacyr Scliar, Miguel Sousa Tavares e Mario Vargas Llosa. São essas influências, pesquisas e mais vivências pessoais que dão o tom da escrita:
 “Pesquisei muito a Era Vargas e o período conhecido como entreguerras no Brasil e no mundo. Entrevistei idosos, frequentei asilos e clubes. Contei com excelentes obras acadêmicas e livros como Na Fogueira, do jornalista Joel Silveira, que recorda o Brasil dos anos 1930. Também consultei jornais de época na Biblioteca Nacional, como o Correio da Manhã, O Globo e Jornal do Brasil. Foi apaixonante ler os jornais daquele Rio de Janeiro, onde os embaixadores se espionavam e vendiam-se “bangalôs nos arenosos subúrbios de Ipanema e Leblon” (palavras de um anúncio imobiliário de 1937, com fotos e gráficos explicativos)”.
E completa:
“Meus avós e tios-avós vieram do leste europeu no começo do século. Cresci ouvindo histórias sobre fugas, separações, reencontros etc. A adaptação ao Brasil era especialmente fantástica. Imagine o que significava sair de aldeias isoladas e miseráveis na Polônia ou na Rússia para cair num Rio de Janeiro ensolarado e acolhedor. Boa parte do romance se passa na Praça Onze, onde judeus se misturavam com negros, portugueses, italianos, árabes. A própria colônia judaica era cheia de contrastes e polêmicas com suas figuras típicas: comunistas, sionistas, ortodoxos, polacas, casamenteiros etc. A trama central é fictícia, mas há várias biografias ali – inclusive a minha”.
Traduzindo Hannah
Autor: Ronaldo Wrobel
ISBN: 8501091146
Gênero: Romance brasileiro
Páginas: 272
Formato: 14 x 21 cm
Editora: Record
Preço: R$ 32,90

Contatos com o Autor:
Celular: (21) 8101-1122
Mais sobre o Autor:
Ronaldo Wrobel nasceu em 1968 no Rio de Janeiro. É autor dos romances Traduzindo Hannah (Record, 2010) e Propósitos do Acaso (Nova Fronteira, 1998), além dos contos reunidos em A Raiz Quadrada e outras histórias (Bomtexto, 2001) e do infanto-juvenil Nossas Festas - celebrações judaicas (Francis, 2007).
Em 2002, A Raiz Quadrada e outras histórias foi recomendado pelo Ministério da Cultura para fazer parte do acervo das bibliotecas públicas federais.
Em 2010, participou da mesa "As nossas ficções de cada dia", na 6a. Festa Literária Internacional de Pernambuco - FLIPORTO, ao lado de Contardo Calligaris e João Tordo. É autor convidado para a FLIMAR 2011 (Festa Literária de Marechal Deorodo – Alagoas).
Trabalha também como advogado, conciliando as letras da lei com a lei das letras.
Ronaldo Wrobel Foto: Divulgação
Clique na imagem para baixar em alta



Clique na imagem para baixar em alta
Assessoria de imprensa:
DGNK Assessoria de Imprensa em parceria de Helena Castello Branco
DGNK Assessoria de Imprensa
11- 3070-3336
11 - 8273-6669
nicolau@dgnk.com.br
www.dgnk.com.br
www.tocadobuck.blogspot.com

Helena Castello Branco
Comunicação & Cultura
11 - 3803 9473
11 - 9872 3676
www.helenacastellobranco.wordpress.com


Entrevista com Ronaldo Wrbel autor de Traduzindo Hannah

Como surgiu a história que se desenrola no livro?

Um professor de psicologia me ensinou, há muitos anos, que somos todos parecidos uns com os outros. Temos mais ou menos os mesmos problemas e o nosso maior medo é que os outros descubram isso. Essa lição me impressiona até hoje. É nela que baseio \ história de Traduzindo Hannah. Os personagens e o ambiente histórico foram inspirados nos imigrantes judeus chegados ao Brasil nos anos 20 e 30, fugindo dos massacres, guerras e revoluções que atingiam a Europa.

Existe uma pitada de história ou vivência pessoal ou familiar?

Com certeza. Meus avós e tios-avós vieram do leste europeu no começo do século. Cresci ouvindo histórias sobre fugas, separações, reencontros etc. A adaptação ao Brasil era especialmente fantástica. Imagine o que significava sair de aldeias isoladas e miseráveis na Polônia ou na Rússia para cair num Rio de Janeiro ensolarado e acolhedor. Boa parte do romance se passa na Praça Onze, onde judeus se misturavam com negros, portugueses, italianos, árabes. A própria comunidade judaica era cheia de contrastes e polêmicas com suas figuras típicas: comunistas, sionistas, ortodoxos, polacas, casamenteiros etc. A trama central é fictícia, mas há várias biografias ali – inclusive a minha.

Ao discorrer no livro há algum processo de pesquisa? Qual foi ele?

Pesquisei muito a Era Vargas e o período conhecido como entreguerras no Brasil e no mundo. Entrevistei idosos, frequentei asilos e clubes. Contei com excelentes obras acadêmicas e livros como Na Fogueira, do jornalista Joel Silveira, que recorda o Brasil dos anos 1930.  Também consultei jornais de época na Biblioteca Nacional como o Correio da Manhã, O Globo e Jornal do Brasil. Aliás, é apaixonante ler os jornais daquele Rio de Janeiro, onde os embaixadores se espionavam e vendiam-se “bangalôs nos arenosos subúrbios de Ipanema e Leblon” (palavras de um anúncio imobiliário de 1937, com fotos e gráficos explicativos).


Por que a época de Vargas?

Porque foi um período trágico e romântico, de grandes ideais. O bem e o mal se enfrentavam nas ruas com uma paixão rara hoje em dia. Todo mundo queria salvar o mundo, acabar com a injustiça, com a pobreza. Havia uma ingenuidade, um heroísmo inocente nos movimentos organizados. O Rio era uma capital vibrante e politizada. Para imigrantes judeus como Max Kutner, meu personagem central, foi uma coisa incrível escapar da penúria e do antissemitismo na Europa para viver num país enorme, colorido e hospitaleiro, onde não faltava comida e fazia calor o ano inteiro. Na velha Rússia as pessoas costumavam dizer que a América era um paraíso porque ali se comia laranja todos os dias. No Brasil também se comia banana, mamão, manga: frutas que não existiam na Europa.

Quanto tempo demorou para escrever o Traduzindo Hannah?

Seis anos, com alguns intervalos e recuos. Não foi um trabalho linear. Parei no meio e refiz muita coisa. Só as revisões duraram dois anos. Cortei muita coisa, quase um terço da história e personagens que estavam sobrando. Um capítulo enorme e passado na Amazônia acabou reduzido a dois parágrafos. Mostrei o livro para os amigos, ouvi conselhos etc. O final também foi reescrito várias vezes. Depois, o livro passou pelo crivo de uma professora de iídiche e de um historiador.

Você já escreveu outros livros. Porque o desafio de um romance adulto?

Porque sou adulto, gosto de sê-lo e não saberia escrever para outro público. Os personagens de Traduzindo Hannah passam por transformações tipicamente adultas, abolindo certezas, enfrentando dilemas e traumas, sendo surpreendidos, sucumbindo ou superando desafios pelo caminho. É um livro essencialmente reflexivo, apesar da trama “vertiginosa”, nas palavras de Cíntia Moscovich.

E sua formação em advocacia, o que complementa no aprendizado do livro?

A prática da advocacia pode ser uma excelente fonte de ideias. O Direito Forense, por exemplo, é quase todo feito de argumentos, de conflitos nem sempre solúveis. O Tribunal de Justiça do Rio está cheio de histórias maravilhosas. Aliás, um dos lemas de Traduzindo Hannah foi inspirado na rotina dos juízes que conheci: é mais fácil julgar sem compreender do que compreender sem julgar. Há questões de alta complexidade, que só são julgadas porque precisam sê-lo, e não porque o juiz esteja realmente convencido de sua sentença. Em nossas vidas acontece mais ou menos a mesma coisa, inclusive diante do espelho.

O livro trata de assuntos como prostituição, quebra de sigilos, perseguição, antissemitismo etc., e com bom humor. Como foi essa escolha e o processo para desenvolver o texto?

Cresci ouvindo histórias da comunidade judaica da Praça Onze, onde essas questões eram corriqueiras. De certo modo, são questões corriqueiras para todos porque nossos desafios são mais ou menos parecidos, como disse o meu professor de psicologia. Quanto ao humor, sou bem humorado até nos piores momentos, o que é visto como um traço tipicamente judaico. O humor judaico é aquele que tira proveito de tudo e de todos, em geral com um sentido crítico e moral. Procuro fazer textos bem humorados, com um pé (ou um dedão) nos absurdos cotidianos. Costumo dizer que as coisas reais são interessantes por natureza, porque existem e pronto. Já as criações têm o dever de ser interessantes para chamar a atenção do público. O humor é um excelente chamariz.

No livro, você fala que na praça XI no Rio de Janeiro, é um local onde se encontram várias etnias, cores e credos. Você vê o Brasil como um local ‘misturas’ e isso é interessante na sua vivência para escrever o livro?

O Brasil é uma festa de crenças, raças, tradições etc. Um rabino estrangeiro me disse que é difícil sustentar a religiosidade num lugar tão gregário, onde todo mundo cobiça a fé do próximo e cede um pouco da sua. Para os imigrantes judeus foi espantoso chegar num lugar assim depois de tantos séculos de discriminação. Meu avô era irmão do Adolfo Bloch, que apesar de ser um judeu convicto, foi casado por muitos anos com uma não-judia. Outro tio russo casou com uma índia nos anos 1950! Minhas avós diziam que nunca existiu antissemitismo de verdade no Brasil, só movimentos isolados como o integralismo. Getúlio Vargas não teria perseguido judeus por causa do judaísmo em si, mas porque havia muitos judeus de esquerda. Por sinal, Vargas também perseguiu alemães, italianos e japoneses. Era um nacionalista ferrenho.

O universo do texto é claramente judaico em sua maioria. Você acha que alguém que não conhece a cultura e hábitos judaicos podem ter em prazer em ler o seu livro?

Sim, com certeza. Em primeiro lugar porque o judaísmo não é uma cultura isolada. Pelo contrário. Judeus sempre dialogaram com outros povos, trocando influências desde a Antiguidade. Os costumes ocidentais têm praticamente a mesma origem, que é a chamada cultura judaico-cristã. É verdade que o livro destaca uma comunidade específica na Praça Onze carioca, mas as questões tratadas são universais: paixão, medo, ambição. As palavras em iídiche ou hebraico dão um tom pitoresco ao texto e têm um sentido intuitivo, ou seja, não comprometem a leitura (quem quiser saber mais terá um glossário no final). Os não-judeus compreendem perfeitamente o livro e ainda acham graça nas tradições que não conheciam.

E para a comunidade judaica, o que o livro traz de mais interessante? Será que não é apimentado de mais?

O livro trata de questões ainda hoje incômodas para a comunidade judaica, como as polacas e os rufiões judeus. Mas não escrevi um panfleto elogioso sobre o povo judeu, nem acho inteligente esconder a sujeira da história para transformar o passado num conto de fadas, com bruxas e fadas. Os dilemas, as vergonhas, os erros do passado devem ser sempre conhecidos e revisitados, inclusive para que alguns não se repitam. A História é um legado a ser estudado com honestidade. Seria ofensivo, para todos nós, que daqui a um século a posteridade retratasse a nossa época com distorções e maniqueísmos só para atender aos seus interesses.

Qual é sua base literária? Quais são os textos ou autores der mais importância?

Gosto de contadores de histórias e os judeus são hábeis nisso. Cito Stefan Zweig, Isaac Bashevis Singer e Moacyr Scliar. Primo Levi também é um excelente autor, mais centrado na Segunda Guerra e suas consequências. Em termos de romance histórico, admiro muito Equador, de Miguel Sousa Tavares. Mario Vargas Llosa também é um excelente fabulador em Tia Júlia e o Escrevinhador. Fora da ficção, recomendo os livros do economista Eduardo Giannetti, ensaios inteligentes sobre temas filosóficos. Ou seja, não tenho uma base literária específica, identificada com movimentos ou autores em particular.

Quando cursou Direito na PUC-Rio? Fez alguma outra graduação ou curso de especialização ? Onde?

Formei-me em Direito em 1998, aos 30 anos, tardiamente porque antes disso estudei Psicologia na mesma PUC-Rio. Larguei o curso no sétimo período, quase diplomado, porque já não queria ser psicólogo. Gostava mesmo é das leituras de Freud, Jung, Erich Fromm e uns tantos pensadores que me influenciaram decisivamente. O diploma em Direito também foi atrasado porque no meio do curso comecei a escrever meu primeiro romance, Propósitos do Acaso. Depois de formado, fiz vários cursos de especialização em roteiro para cinema e televisão, com profissionais como Doc Comparato e Paulo Halm. Talvez por isso muitos digam que meus livros são “imagéticos”.


Contatos com o autor:

Site http://ronaldowrobel.com.br 
Celular: (21) 8101-1122

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

De Escritores, Fantasmas e Mortos

Nas primeiras décadas do século XX, Paris era uma festa. A fama e o apelido vieram principalmente pela numerosa quantidade de artistas e, principalmente, escritores norte-americanos que foram morar em Paris, aproveitando-se do baixo custo de vida e da atmosfera inspiradora da cidade. O apelido foi merecido à atmosfera hedonista, embalada pelo vinho bom, barato e noitadas protagonizadas por celebridades internacionais.

Um século depois, a mesma cidade já não é uma festa, mas ainda guarda a mesma vocação literária, inspiradora e romântica, de tempos atrás. É justamente essa atmosfera que o escritor Paul Lodd, 59, retrata com tanta maestria em seu romance de estréia “De Escritores, Fantasmas e Mortos”.  O livro se passa em sua maior parte pelas ruas do bairro latino Quartier Latin, com suas pequenas vielas e bistrôs, e caminhando por elas, o protagonista do romance encontra fantasmas literários que socorrem seus momentos de crise criativa.

O personagem Jean-Pierre repete uma rotina diária à procura de inspiração e, nessa trajetória, se envolve com outros personagens. Uma linda mulher e um intricado relacionamento com um amigo norte-americano parecem montar um quebra-cabeça que formam as bases de um enredo misterioso e um tanto fantástico. Em outro plano, numa composição clássica de “livro do livro”, Jerome é o autor dessa história à busca de um desfecho grandioso. Nessa procura, ocorre um paralelismo entre criatura e criador, resultando num final dramático, como conclusão de um mistério muito bem articulado: “Procurei dar vida aos personagens a partir da minha própria experiência como escritor”, diz Lodd.

O domínio da linguagem, com traço claramente maduros e personagem com traços psicológicos marcantes, Lodd é um autor com grande talento narrativo que, apesar de brasileiro, viveu boa parte dos seus 59 anos em viagens internacionais ministrando cursos relacionados à saúde da medicina, sua especialidade. Em Paris encontrou um lar, depois de aposentado, passou a se dedicar a leituras e a um intenso exercício de observação de situações, personagens, comportamentos: “Sempre estabeleci uma troca sensorial muito grande com meu ambiente”, explica, justificando a sua capacidade de reproduzir com tanta fidelidade o estilo de vida parisiense, um pouco “à maneira de Proust”.

Mas essa não é a única proposta de seu romance. Ao contrário, Lodd tece uma intrincada rede de fatos e personagens que parecem nunca organizar-se o suficiente para definir um roteiro tradicional. E são apenas nas últimas páginas, após uma leitura envolvente, é que o quebra cabeças se desfaz num desfecho inteligente que justifica plenamente o mistério de todo o romance.

Lodd é um escritor com muitos planos e grande produtividade intelectual: “Quero fazer uma carreira também fora do país”, diz ele. Em breve, o mercado literário verá mais um novo título de sua lavra e, possivelmente, não apenas no Brasil. Seus temas internacionais, plenos de um romantismo pós-moderno que resgata nobres valores literários, aguçam a curiosidade e o interesse não só de editores nacionais, mas também europeus. Nada mais justo: Lodd é um escritor global e seu livro de estréia é a mais plena comprovação dessa vocação.


Contato com autor:
E-mail : paul-lodd@paul-lodd.fr / marcoate@club.lemonde.fr 
Skype: marco3813


Para conhecer sobre Paul Lodd:

Nascido em 11 de junho de 1951 no Rio de Janeiro, desenvolveu seu projeto de Pós-Doutorado no Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997), com bolsa da FAPERJ. Concluiu o Doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires (1991) .Terminou todos os créditos do mestrado em Anatomia Humana, na UFRJ em 1983 (dissertação de tese apresentada no exterior) e possui cursos de especialização e aperfeiçoamento, respectivamente em Metodologia do Ensino Superior (UFRRJ-1982) e Ergonomia (Fundación Mapfre-Espanha-1991). Foi, entre 1975 e 1979, professor colaborador da UFRJ e se aposentou como professor Associado, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde lecionou e pesquisou por trinta anos. A partir de 1997 passou a escrever crônicas para uma Revista da área de Saúde.

Foi consultor, contratado, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, exercendo, de 1992 a 1994, a função de coordenador de Biomecânica no Projeto BRA/92/006. Foi o responsável pela criação do Laboratório de Biomecânica do Núcleo de Ciências da Atividade Física-NUICAF, Ministério da Aeronáutica, exercendo a sua coordenação no período de 1993 a 1995. Recebeu, em 1999, do Simpósio Internacional de Dor o prêmio TRB Pharma, pelo melhor de trabalho de pesquisa apresentado sobre a dor. Foi orientador de teses do curso de Doutorado da Faculdade de Medicina da "Universidad de Buenos Aires"-UBA , recomendado pelo orgão similar à CAPES, com nota 6. Ministrou dois mil oitocentos e sessenta cursos e conferências em diversas universidades do : Brasil, Argentina, Espanha, Portugal, Venezuela, Uruguai e  Chile.

Nicolau Kietzmann Goldemberg
DGNK Assessoria de Imprensa
11- 3070-3336
11 - 8273-6669
www.dgnk.com.br
www.tocadobuck.blogspot.com


Críticas

ESCRITORES, FANTASMAS E MORTOS *

UM ROMANCE ONDE SE FICCIONA A FICCIONALIDADE


“DE ESCRITORES, FANTASMAS E MORTOS” é um livro singular para reflectirmos sobre o mundo actual e nos darmos conta daquilo que é este séc. XXI.

O autor escolhe para personagem principal, a articular-se logo de início, um aposentado piloto da força aérea que página a página se transforma no epicentro de uma estranha fenomenologia para além da globalização e transcendendo o real ou filtrando a realidade pelo fantástico, “Você tem razão. Mas não se esqueça, estou morta e posso tudo. Passear pelo tempo. Me transfigurar em qualquer coisa.”.

 Uma jovem veste roupas do séc. XVIII, mas não é um disfarce nem uma visão de Jean-Pierre, porque ela está ali com ele em pleno sec. XXI a relatar a violência sofrida em plena revolução francesa quando em 1792 ela (e outros) haviam sido executados diante do povo, intemporalizando ou actualizando a violência com a idade de 217 anos e que mora em Paris vai para 238 anos, da mesma forma que ele vê escritores já de há muito falecidos, numa voracidade sobre o tempo de forma a que o leitor quase se ilude pela subtileza metaforizada sob recursos digitais. Aí e por isso, parte do livro são trocas de mensagens electrónicas e interferência na intriga, que afinal está em construção, pelos blogueiros.

Como em rigorosos planos cinematográficos, as personagens deslocam-se no espaço e tempo cibernéticos, com troca de mensagens (e-mails) entre Jean e um amigo de Nova York até que, a determinado ponto, a personagem principal passa a ser o autor do livro que estamos a ler e que ainda não está escrito, existindo apenas um roteiro do autor da obra que estamos a desfolhar e que já conhecemos o que era personagem principal, o vidente Jean-Pierre.

 Agora, o autor, Jerôme, descobre uma mulher, Sylvie que é a “mesa de leitura” de uma editora e sujeita o inacabado, a sinopse, para apreciação, dela, académica em letras.

 Aqui começa a desmontagem para montar o livro que se lê a si próprio sem espelho e para uma referência da nossa actualidade absurda pois nós conseguimos ler, por exemplo Proust, Freud ou Machado de Assis mas nenhum deles, se reaparecesse agora como era, conseguiria ler este livro que se instala no mundo informático e utiliza um léxico gerenciador e reduz o mapa-mundi a um pequeno espaço  pela comunicação e velocidade, dando-nos a sensação do digitalizar do pensamento em narrativa intemporal, sem uma verdadeira intriga mas muitos enredos cruzados em cosmicidade de ilusões necessárias mas diferentes das que todos os dias nos impingem as televisões.

 O autor, aquele que está dentro do livro a fazer este livro e que passa a personagem principal, troca largas impressões com a executiva da editora no sentido de dar um rumo e fim definitivo ao texto. Ela interessa-se e um pelo outro até ao relacionamento mais intimo.

 Jerôme recorre aos bloguistas e recolhe nove sugestões com textos bem lapidados com invocação de filósofos e outros agentes do saber superior. Desta forma, o livro que estamos a ler inclui a critica (apreciação) que lhe é feita, pluralizando a autoria.

 Jerôme encaminha-se para um romance criminal pois, antes, já lhe chegara de interesse a notícia do assassinato de um milionário. Porém, ao ler um jornal, depara-se com o assassinato de um milionário na Bolívia.
Decide-se em viajar pela América Latina, Brasil, Argentina e Bolívia, pois um blogueiro, havia sugerido que ele visitasse as terras das suas personagens no romance.

 Jerôme acaba numa cilada na Bolívia para morrer conforme o milionário assassinado, porquanto, o livro imaginado, correspondia, acidentalmente, a uma realidade e tornava-se numa denúncia sobre a alta corrupção, por isso o blogueiro mafioso insistira para que Jerôme visitasse lugares até chegar a Potosi.

 Antes, não obstante a internet falhar em La Paz, conseguira enviar o texto pelo correio e o livro – que pode não ser este- acaba publicado e nas mãos de uma mulher que só pode ser Sylvie.

E foi pela informática que o motorista que conduzia Jerôme lhe disse, pelo caminho, que conhecia o livro que ele andava a escrever e, por isso, recebera instruções de transferi o “turista” para uma camioneta para  depois ser executado. Afinal acabou como a jovem que ele, autor, colocara hoje no tempo da Revolução Francesa quando havia sido executada.

Com excelente domínio vocabular, conhecimentos de variados saberes e lugares, Paul Lodd, consegue um romance de profunda lucidez sobre os nossos dias, tão semelhantes a outras idades anteriores no que concerne à violência, acrescida da corrupção e da politica global que reduz o homem a usar a internet para ser seu instrumento, mundo cada vez mais surrealista, povoado de fantasmas e de conhecimentos ainda por desvendar. É um exercício também de laboratório sobre a escrita, colocando interrogações de como tratar as coisas reais se elas cada vez mais nos parecem fantasia da mesma forma que Jean-Pierre se avistava com Proust e outros para que o ajudassem a escrever o livro que ele não conseguia para, depois, aparecer o criador da personagem que se escreve sobre si, quase colocando Paul Lodd na arquibancada para assistir ao jogo. Vale a pena ler este livro quanto mais não seja porque é diferente.

 *Paul Lood, ed, LIVRE EXPRESSÃO, Rio de Janeiro, Brasil, 2010   

Manuel Rui

Poeta, contista, ensaísta, crítico literário, Manuel Rui Alves Monteiro nasceu a 4 de Novembro de 1941, em Angola;  em Coimbra licenciou-se em Direito. Em Portugal dirigiu a revista "Vértice", em que foi colaborador. A partir de em 1974, teve passagens na polítia, tendo sido Ministro da Informação do Governo de Transição Angola e Professor universitário e Reitor da Universidade de Huambo.

ESCRITORES, FANTASMAS E MORTOS

O romance já foi desestruturado e questionado. Um gênero literário que resiste ao tempo desde que se consolidou como o mais popular, comparando-se ao conto e à poesia. Hoje, o romance talvez não esteja em seus melhores momentos e é talvez por esse motivo que uma nova leva de escritores surge procurando resgatar alguns dos valores, técnicas e estruturas literárias que sempre caracterizaram tão bem o gênero. Lodd é um deles. Uma voz que surge entre a fragmentação literária dando corpo e alma a um texto de longo fôlego inspirado em romancistas definitivos — como Proust, um de seus inspiradores. Aquele velho prazer da leitura sobrevém numa linguagem despojada, sem amarras e sem compromisso, apenas com o objetivo de fazer literatura — mais especificamente, o romance. E ainda assim, uma linguagem nova, atualizada com o tempo da tecnologia, das relações vaporosas, da globalização. Lodd tem personalidade — a do escritor que sabe muito bem o que quer das palavras.

Roberto Amado 

Editor, tradutor, escritor e instrutor de cursos e oficinas litereairas com resenhas  e críticas literárias na  Revista Veja, Caderno 2 – Estadão,  Jornal Leia, Washington Post, Representante brasileirodo International Writting Program, a convite da Embaixada Americana, para um programa de escritor “in-residence” na Universidade de Iowa. Tem três livros  pela  Record, Atual e Lr.


“Caro,
Acabo de ler "De Escritores, fantasmas e mortos". Adorei! O seu meta-romance, isto é um romance sobre romances, é uma apresentação excelente e fascinante de realidade e ficção. Tanto na forma como no conteúdo é surrealismo, e, pensando nas obras de Guimarães Rosa, realismo mágico.
Seja qual for a razão, os nossos agradecimentos ao autor ficcional e real de uma obra magnífica”
Carta de Russell G. Hamilton. Professor Emérito, Ph.D. Yale Univesity (1965).  Professor de Literatura em Português, brasileiro e africano e lusófona, afro-baiana expressões culturais afro-Português, (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), e a teoria pós-colonial.